Nextel: se negociação com credores falhar, haverá calote em 2018


Controladora da tele explica que precisa alongar prazos de amortização e pagamento de juros para sustentar a operação neste ano, quando prevê retração devido à situação macroeconômica, à competição e perda dos usuários iDEN.

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A situação financeira da Nextel Brasil continua delicada. A NII Holdings, controladora da empresa, destacou no balanço financeiro publicado hoje, 10, que prevê um ano com perdas devido à situação macro econômica do país, à evasão de consumidores da tecnologia iDEN e aumento da competitividade local.

A sobrevivência da companhia depende de negociações com credores. Se não conseguir alongar suas dívidas, suspender ou reduzir drasticamente o pagamento de juros, terá dinheiro para financiar as operações apenas até o primeiro trimestre de 2018. A partir de então, pode entrar em default, ou seja, efetuar um calote.

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O alerta de que a empresa poderia entrar em default a partir de 2018 já havia sido dado no balanço financeiro para o ano de 2016, publicado em março. De lá para cá, pouco mudou. A tele conseguiu um acordo recentemente com bancos locais. Desde março, está suspenso o pagamento de juros sobre a dívida, por 120 dias. Durante este tempo, a empresa deixará de pagar juros que somariam US$ 25,2 milhões. E ganha algum fôlego para continuar as conversas.

“Estamos em discussões com os bancos, credores da Nextel Brasil, e trabalhando intensamente por mudanças de longo prazo nos acordos de financiamento ao longo desse período. Se obtivermos sucesso, teremos um alívio sobre os pagamentos por vários anos. Se não obtivermos sucesso, acreditamos que nossas fontes atuais de recursos não conseguirão sustentar o negócio além do primeiro trimestre de 2018”, explica a NII Holdings no balanço financeiro referente ao primeiro trimestre.

A previsão da empresa é de que precise dispender ao menos US$ 160 milhões entre abril e dezembro. Este gasto leva em conta necessidade de amortização, pagamento de juros e custos operacionais. Além de alongar os pagamentos aos bancos brasileiros, a empresa tenta liberar para uso imediato valores retidos como garantia para quitação de títulos financeiros. No primeiro trimestre, a companhia gerou caixa de US$ 257,4 milhões, 24,78% a menos que um ano antes. A dívida total soma US$ 1,2 bilhão.

A NII Holdings descarta qualquer possibilidade de conseguir atender aos compromissos semestrais firmados com os bancos credores este ano. Os compromissos estabelecem limites para o endividamento e pagamentos mínimos da dívida. Para completar, a empresa tenta manter em dia as parcelas da compra de espectro de 1,8 GHz, adquirido em 2015 da Anatel. A empresa se comprometeu a pagar US$ 116,6 milhões (R$ 455 milhões à época). Até agora, pagou um décimo desse valor e entrou em linha de financiamento do governo para arcar com o restante, que a empresa afirma ser possível bancar.

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