Netflix pede garantias de acesso gratuito às redes de provedores


A companhia online de streaming de vídeo Netflix também enviou sua contribuição à consulta da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre a regulamentação do Marco Civil da Internet. Em uma extensa defesa das atitudes da empresa, a OTT pede que lhe seja garantido o acesso gratuito às redes das provedoras de acesso.

Para a empresa, nos casos em que um provedor de aplicações investir em soluções para reduzir o impacto que seu conteúdo tenha sobre a rede do provedor de acesso, “o regulador deveria assegurar, não só o direito de acesso (já protegido pelo Artigo 61 da Lei Geral de Telecomunicações), mas também garantir que esse acesso seja gratuito”, diz.

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A empresa pede que a agência evite recomendar, na regulamentação, uma regra em torno das CDNs, redes de entrega de conteúdo que se conectam a pontos públicos de troca de tráfego. E explica com o próprio exemplo. A Netflix tem uma solução de CDN, chamada Open Connect. Seus servidores dedicados se conectam às redes das operadoras por meio de ferramentas próprias, fornecidas gratuitamente pela OTT às provedoras de acesso. A empresa também arca com servidores de cache, que armazenam conteúdos mais acessados localmente. O sistema, diz, diminui a carga sobre a rede em toda sua extensão.  Alugar espaço em um ponto de troca de tráfego ou pagar para que provedores de tráfego transmitam os dados, por diferentes pontos de troca de tráfego ,são outras formas adotadas para entregar o conteúdo.

“A Netflix suporta integralmente o custo de entrega na porta da rede dos provedores de conexão local dos bits solicitados pelos clientes da rede dos provedores de conexão local, impondo, dessa forma, nenhum custo à rede dos provedores de conexão local”, afirma. A companhia alega que faz esses investimentos para reduzir a pressão financeira sobre os custos com infraestrutura das operadoras.

A empresa busca evitar qualquer cobrança acerca dos serviços que usa para entregar o conteúdo ao usuário final. Entre os requisitos técnicos, destaca que os provedores de conteúdo devem ficar impedidos de cobrar dos provedores de conteúdo em caso de uso de ferramentas de gerenciamento de tráfego. “Permitir a possibilidade de que tais encargos sejam cobrados cria um incentivo perverso para o provedor de serviço de conexão à internet deixar esses pontos de acesso congestionados (..) visando tentar extrair pagamentos de provedores de conteúdo on-line para que paguem por uma rota de tráfego fora do congestionamento gerado”, argumenta.

A empresa também se posiciona contra a adoção do zero rating, “uma vez que apresenta aos consumidores apenas uma fatia da internet”. A companhia tem, entretanto, contratos de zero rating com ISPs na Austrália. Nos Estados Unidos, fechou acordos de interconexão com provedores locais de acesso.

 

 

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