Negócios embaralhados no mundo das redes digitais


{mosimage}A convergência tecnológica, na arena das redes de serviços, começa rapidamente a deixar de ser uma tendência para se tornar uma realidade capaz de embaralhar o universo de negócios de empresas como provedores de serviços de conteúdos ricos, operadoras de telefonia fixa e móvel, emissoras de TV convencional ou a cabo, provedores de banda e larga e redes corporativas, afirma Leonardo Bon*, da Extreme Networks.

De fato, não fossem as regulamentações ainda em curso, seria hoje bastante difícil, por exemplo, delimitar a área de ação das empresas de telefonia e TV na distribuição de conteúdos de vídeo em broacasting.

Lembremos, a este propósito, o impasse que se criou no Brasil, já faz um ano, sobre a transmissão ou não de jogos da Copa do Mundo, via telefones celulares. Transmissão esta que só deixou de ocorrer por força de marcos regulatórios e contratos de patrocínio, e não por limitação técnica.

Não obstante estes impasses, está cada dia mais claro que a trincheira tecnológica vai se tornando decisiva para todos estes competidores num cenário cada vez mais próximo. Para as operadoras de telefonia, a exigência de alargar seus portfólios com produtos residenciais de conteúdo convergente via banda larga – tais como suporte a vídeo digital, game e interatividade – é tida como questão decisiva para o futuro do negócio.

É bem verdade que a existência de um mercado em franca operação, na arena dos serviços multimídia, só será uma realidade concreta talvez entre 2 a 5 anos. Entretanto, a consideração sobre este tópico já influencia hoje todas as decisões de investimento na ampliação ou atualização da estrutura destas empresas. De modo que, apesar do mercado incipiente, já se pode dizer, com certeza, que a competição está em pleno curso.

E há outros claros indícios a considerar. A utilização de IP-TV, no mercado corporativo, por exemplo, vai se tornando cada vez mais corriqueira em aplicações como treinamento à distância ou distribuição de conteúdos institucionais em geral, ao mesmo tempo em que proliferam os sites de entretenimento que fazem distribuição vídeo on-demand, tudo isto sem falar na grande febre de pod-casts e na nova conduta dos assinantes de TV a cabo, que passam a exigir pacotes de serviços cada vez mais ricos em conteúdo e flexibilidade.

Mudança de conduta, aliás, que atinge o próprio usuário de telefone e Internet. É realmente notável a escalada da banda de Internet para ligações telefônicas à distância, o que por si só prenuncia um mercado de voz completamente mudado para os próximos anos, e cada vez mais associado às redes convergentes.

Nesta corrida tecnológica, um  movimento que  já se assiste é a troca das dispendiosas infra-estruturas de redes assíncronas (ATM.) que até recentemente representavam o topo da tecnologia nesta área, por redes altamente flexíveis, de fácil ativação e gerenciamento de serviços.

A simplicidade das redes Ethernet (justamente o padrão nativo das redes empresariais, que é amplamente dominado pelos atores deste mercado) emerge como opção preferencial, hoje bastante turbinada pela alta velocidade dos 10 Gigabit. Se antes, os sistemas ATM se diferenciavam pela alta disponibilidade, hoje o padrão Ethernet já consegue supera-los também neste ponto, com tempo de auto-recuperação na faixa dos 50 milésimos de segundo. Associado a isto, é através do padrão Ethernet que as operadoras conseguem distinguir a qualidade de tráfego adquirida pelos seus milhões de assinantes, gerenciando de forma correta a alocação de recursos e a cobrança adequada para demandas de voz, vídeo, interatividade, dados etc.

É com vistas a este cenário que as companhias líderes da indústria de redes – tanto software quanto hardware – começam a se articular em entidades como a Triple Play Alliance. Trata-se de uma associação visando buscar padrões para serviços unificados de vídeo, voz e banda larga, tanto para o mercado residencial quanto o doméstico. Tudo indica que, em futuro breve, todas as operadoras, bem como os demais provedores de serviços irão convergir para uma infra-estrutura muito semelhante, na qual o padrão Ethernet, suportando aplicações convergentes sobre IP, deve ser sobressair como modelo preferencial.

Seja como for, os analistas internacionais já pactuaram-se na opinião de que o Triple Play é um caminho sem volta e de realidade comercial já tangível para os próximos dois a cinco anos. Em breve estaremos convivendo com eletrodomésticos e dispositivos de escritório nos quais a aderência à rede IP – seja via rede telefônica, ou via banda larga distribuída de diferentes formas – será não mais um diferencial, mas uma exigência básica.

* Leonardo Bon é diretor geral da Extreme Networks para o Brasil e América Latina 

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