Empresas de olho na “última milha” da identidade digital no Brasil
Importância da expansão da identidade digital no Brasil é defendida em evento em Brasília por executivos de empresas públicas e privadas

A expansão da identidade digital no Brasil deve se apoiar em um modelo cooperativo entre o Estado e o setor privado, segundo avaliação apresentada por executivos da empresa Único e da integradora EDS durante evento com representantes do governo federal hoje, 24 de junho, em Brasília (DF).
A proposta é que o poder público concentre seus esforços na oferta de infraestrutura digital segura, universal e escalável, enquanto empresas privadas atuem na chamada “última milha” da validação e integração da identidade com aplicações específicas de mercado.
Luís Felipe Monteiro, vice-presidente Global de Relações Governamentais da Único, empresa especializada em soluções de identidade digital, destacou que o Estado brasileiro enfrenta uma multiplicidade de problemas complexos e nem sempre consegue dedicar os recursos necessários para atender às demandas específicas de cada setor da economia. “Cada indústria — financeira, logística, mobilidade, jogos — tem uma necessidade particular sobre identidade. Não é viável que o Estado consiga atender a todas elas com profundidade”, afirmou o executivo. Isto, conforme o executivo, servirá para a expansão da identidade digital no Brasil.
Ele defendeu que o papel do Estado seja garantir uma identidade oficial robusta, gratuita e segura, enquanto empresas privadas se responsabilizam pela distribuição da autenticação nos diversos setores. A Único, segundo o executivo, já opera com os principais bancos, plataformas de apostas e sistemas de justiça, utilizando biometria facial para autenticação de transações e prevenção a fraudes.
Biometria facial ganha espaço também em transações públicas
Além da fase de cadastro inicial (onboarding), o uso da biometria facial tem crescido para a validação de transações sensíveis. O representante da Único ainda sugeriu que o governo adote essa prática em serviços de maior risco, como concessões do INSS, assinaturas de procurações ou acesso a dados sigilosos. “É o mesmo que já acontece no setor financeiro, com validação facial para PIX de alto valor”, exemplificou.
Ele argumentou que a biometria é a “identidade originária” do cidadão, anterior a documentos como CPF ou RG, e que a repetição de credenciais ao longo da vida do indivíduo aumenta os pontos de falha e possibilidade de fraude. “A cada nova credencial empilhada, você abre uma brecha para falsificações. A biometria reduz essa vulnerabilidade”, concluiu.
Integradora defende interoperabilidade e padronização de dados
Já a EDS Integradora defendeu a necessidade de interoperabilidade entre os sistemas estaduais, municipais e federais. A empresa, que atua com soluções tecnológicas para diversos entes da administração pública, reforçou que é possível reaproveitar soluções já implementadas em alguns estados para evitar custos desnecessários e acelerar a inclusão digital.
O representante da EDS, o Diretor Comercial Marcus Edrisse, destacou que a identidade digital é hoje “um requisito para o exercício pleno da cidadania” e citou avanços como o Gov.br e o uso de biometria em serviços como a declaração do Imposto de Renda. Ele defendeu a uniformização dos cadastros e sistemas como forma de garantir maior eficiência e segurança.
Expandir identidade digital pode tornar Brasil referência internacional
Na etapa final do debate, representantes do setor público avaliaram que o Brasil tem condições de se tornar uma referência internacional em identidade digital segura e interoperável. Essa possibilidade decorre, segundo os participantes, do histórico de adoção de sistemas unificados, como o CPF e o modelo de plataformas digitais compartilhadas.

