Mundo terá 2,6 bilhões de conexões LTE em 2019


No relatório divulgado ontem, a União Internacional de Telecomunicação (UIT) prevê perda no ritmo de novas assinaturas 3G em 2016 e manutenção do ritmo de novas conexões 4G no mundo. Com isso, até 2019, a organização, ligada à ONU, calcula que existirão 2,6 bilhões de usuários LTE no planeta. Apenas neste ano, as rede móveis devem crescem 20% ao redor do mundo. Em setembro de 2013, existiam 191 redes LTE em funcionamento. A 4G Americas, que também faz estudos sobre a área, estima que até dezembro de 2014 haverá 350 redes LTE comercialmente ativas.

A UIT também perguntou às operadoras o que motiva o investimento em LTE. A resposta mais comum, de 22% delas, é de as redes atuais não tem capacidade suficiente para lidar com a demanda por dados; 21% disseram que os usuários buscam velocidades mais rápidas; 16% disseram que querem construir marca apoiada em liderança tecnológica; também 16% disseram que procuram novas fontes de receita; 12% quer a vantagem do pioneirismo; 9% lançaram redes LTE em resposta ao movimento da concorrência; e 4% reagem a exigências regulatórias.

Além disso, aponta tendências no mercado de telecomunicações móveis. A organização acredita numa diminuição do ritmo de crescimento de novas adesões, com saturação em alguns mercados, elevação do churn, e novos clientes atraídos por um segundo SIM. O preço da voz deve permanecer em queda em função, principalmente, da concorrência entre as operadoras. O preço do tráfego de dados também vai manter tendência de queda para incentivar o uso por parte do consumidor. A competição, aliás, deve crescer, especialmente nos mercado maduros, onde o MVNO será crucial na disputa por preços. O usuário também está cada vez mais sofisticado, mais bem-informado. Este consumidor demandará mais investimentos em alocação de novos espectros.

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O levantamento aponta também para o crescimento, na banda larga fixa, das conexões com fibra. Segundo a UIT, a tendência é que a conexão seja responsável pela maioria das conexões até 100 Mbps. Acima dessa faixa, a fixa manterá sua penetração, entregando velocidades de até 1 Gbps. Nos últimos dois anos, a participação da fibra óptica (FTTH ou FTTx) subiu de cerca de 20% para quase 30%. A participação do cabo se manteve praticamente estável, ao redor dos 20%, enquanto o cobre perdeu em penetração, passando de 60% para 50%.

Nova regulação
A UIT conclui, no relatório, que é preciso rever o peso dos governos na regulação das telecomunicações. Recomenda uma série de “comportamentos” para que o setor permaneça aquecido, em crescimento, e capaz de receber novos concorrentes ao mesmo tempo em que atenda a demanda por mais conectividade das pessoas.

Entre as recomendações aos Estados está a adoção de uma regulação suave, que interfira no setor apenas quando necessário assegurando apenas a ação do mercado sem restrições e em benefício da inovação; adoção de princípios de isonomia, regulando quem não é regulado, como OTTs; adotar marcos legais que privilegiem a entrada de novos players; monitorar o gerenciamento de tráfego nas redes para garantir que não haja discriminação de dados originados em empresas concorrentes; encorajar o compartilhamento de redes; estimular a participação social na regulação, com consultas à sociedade, empresas, academia e outros stakeholders; assegurar previsibilidade regulatória.

O documento pede, ainda, que os governos utilizem seus fundos de telecomunicações para reduzir o abismo digital. Sugere também que leis de propriedade intelectual sejam flexibilizadas, facilitando a adoção de tecnologias abertas.

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