Mudança no edital para criar lote que una 700 MHz e 3,5 GHz é “improvável”, diz Baigorri


baigorri

O conselheiro da Anatel, Carlos Baigorri, jogou um balde de água fria na expectativa de provedores de pequeno porte que têm se mobilizado para participar do leilão 5G via um grande consórcio, batizado de Iniciativa Brasil 5G. O grupo, já com 320 integrantes, tem percorrido Brasília sugerindo alteração na estrutura do leilão. Pede a criação de um lote que aglutine a faixa de 700 MHz e a de 3,5 GHz. O intuito é garantir que o entrante possa contar com a amplitude da cobertura oferecida pelos 700 MHz e a capacidade da de 3,5 GHz.

No entender de Baigorri, porém, é difícil que a ideia seja acatada pela Anatel ou mesmo seja proposta na deliberação final do TCU, a ocorrer semana que vem. “O rearranjo de frequências é possível. Tudo é possível. Mas não acho que é provável, por diversas razões”, afirmou.

A mais importante das razões, disse, é o atraso que geraria ao leilão. “A revisão do edital para incluir um lote juntando as duas frequências exigiria refazer completamente o plano de negócios. Envolveria diminuição dos custos das obrigações, aumento do preço mínimo. Necessariamente levaria a nova submissão dos termos ao TCU. Recebemos na Anatel a Iniciativa Brasil 5G, debatemos isso, dei então a minha posição e ela mantém-se a mesma”, acrescentou Baigorri. Ele participou hoje, 20, de live realizada pelo Tele.Síntese.

Para ele, a aglutinação dos 700 MHz com os 3,5 GHz em um lote não é uma condição essencial para que os provedores entrem na disputa. Pelo contrário, ele vê interesse dos ISPs de todo o Brasil pelo espectro que será vendido, e antevê até a participação de um entrante no quarto lote nacional.

“Minha aposta é que vamos ter quatro players. Acho que tem espaço, o Brasil tem desafios de conectividade. As empresas estão capitalizadas, teve o IPO da Unifique, da Brisanet, da Desktop. A Vero anunciou ontem que entrou com o pedido. Estamos passando por um período de liquidez, taxas de juros negativas nos EUA, na Europa, na Ásia. Qualquer investimento com uma taxa de retorno consegue atrair capital”, afirmou.

Além de prever disputa nos lotes nacionais de 3,5 GHz, ele prevê briga pelos lotes regionais de Norte a Sul. Mas há uma região do país em que afirma ainda não saber ao certo se tem provedores dispostos a ir ao leilão. “Nas faixas regionais, teremos disputas como um todo. Só não tenho certeza quanto ao Centro-Oeste. Ao longo da elaboração do edital conversamos com ISPs de Sul, Norte, Nordeste, mas com ninguém do Centro-Oeste”, observou.

Anterior Ordem do TCU sobre antenas vai alterar preço e obrigações da faixa de 3,5 GHz
Próximos Edital em outubro e leilão do 5G em novembro é o mais provável