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Mudança de governo na Itália pode movimentar mercado de telecomunicações no Brasil

Governo da Itália pode parar nas mãos de partido que defende a venda da TIM Brasil para salvar maior operadora de telecomunicações daquele país
Crédito: Divulgação

A renúncia do primeiro ministro Mario Draghi ao governo da Itália pode ter repercussões profundas no mercado de telecomunicações do Brasil. O político entregou semana passada sua demissão. Com isso, o parlamento foi dissolvido e eleições antecipadas acontecerão em 25 de setembro.

A tendência, ao menos até o momento, é que a coligação de direita liderada pelo partido Irmãos da Itália saia vencedora.

Entre outros pontos, o partido defende a venda pelo Grupo TIM de seus negócios no Brasil.

O governo italiano é um dos principais acionistas do Grupo TIM, antiga Telecom Italia, com quase 10% do capital. Tem também a chamada golden share, a capacidade de bloquear transações que considerar nocivas ao país.

Em entrevista publicada pelo veículo local Affari Italiani no domingo, 24, o coordenador de políticas para TICs do Irmãos da Itália, Alessio Butti, defendeu a venda da TIM Brasil e uso do dinheiro para o Grupo TIM sanear os negócios italianos.

Ele também falou que o governo novo, caso a eleição confirme a liderança atualmente apontada nas pesquisas, vai impedir a demissão de 12 mil pessoas pela operadora. O corte de pessoal é um dos pontos de recuperação das finanças da tele presente no plano de turnaround elaborado pelo executivo Pietro Labriola – ex-CEO da TIM Brasil.

“Acredito que não faz sentido manter a TIM Brasil enquanto estão previstas demissões na Itália, seria melhor vender a subsidiária brasileira”, afirmou ao periódico.

O plano de Labriola prevê manutenção do ativo brasileiro, demissões, separação estrutural entre serviços e infraestrutura. Difere, portanto, daquilo que Butti, do Irmãos da Itália, defendeu que deve ser feito pela empresa, exceto por um ponto. Butti falou que não é contrário à criação de uma empresa única de infraestrutura óptica nacional, a partir da fusão entre a rede da TIM Italia e da Open Fiber.

Mas disse que há exagero quanto à importância da fibra óptica. Segundo ele, a topologia do país exige o uso de outras tecnologias. “A fibra pode chegar a no máximo 70% dos locais”, falou o político.

As alternativas à fibra mencionadas foram o rádio e o FWA, tecnologia sem fio baseada no 5G, que por sua vez precisa de fibra até as estações móveis para funcionar adequadamente.

O político italiano disse ainda que pretende impedir mudanças na gestão da Sparkle que enfraqueçam o papel do governo na empresa. A Sparkle é o braço de atacado, nuvem e trânsito internacional do Grupo TIM.

Antecipou que o novo governo vai declarar guerra à Vivendi como sócia no Grupo TIM. Ele diz querer evitar que o grupo francês seja o maior beneficiário dos dividendos vindos do plano de fomento à digitalização, elaborado pelo governo italiano para recuperar a economia após a pandemia de Covid-19.

Por fim, disse que a Itália deve ter um plano estratégico para dados pessoais, impedindo que tais dados sejam utilizados livremente pelos Estados Unidos. Acusou os norte-americanos de convencer a Itália a impor barreiras ao avanço da China no setor de tecnologia, induzindo ao uso de tecnologia americana. “E os EUA continuam a fazer negócios com a China. Em suma, todo o sistema deve ser revisto”, concluiu.

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