MPA defende políticas estruturantes para o audiovisual


A diretora da entidade disse que a política pública de incentivo atual é calcada na produção, sem uma atenção especial aos outros elos da cadeia, tanto na distribuição, a internacionalização e a capacidade de circulação global das obras brasileiras

Andressa Pappas, Governent Affairs Motion Pictures Association - Crédito: TV.Síntese
Andressa Pappas, Governent Affairs Motion Pictures Association – Crédito: TV.Síntese

Atualizada em 09/10/21

A diretora de Relações Institucionais da Motion Picture Association (MPA), Andressa Pappas, defendeu uma política pública estruturante para o setor de audiovisual para superar as barreiras regulatórias e incluir as evoluções tecnológicas. “Há 10 anos, a realidade era outra e de fato se fizeram necessárias adaptações regulatórias. Mas coma evolução tecnológica, há de se estimular debates sobre se a carga atual de regras faz sentido, se não seriam mais eficazes outras ações de incentivo”, questionou. 

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Andressa afirmou que a política pública de incentivo atual é calcada na produção, sem uma atenção especial aos outros elos da cadeia, tanto na distribuição, na internacionalização e na capacidade de circulação global das obras brasileiras, justamente para enfrentar o grande problema da atualidade, que é o encurtamento da cadeia  dos canais de exibição. “A nossa premissa é que, o desenvolvimento sustentável do audiovisual brasileiro necessariamente pressupõe tanto a valorização da identidade nacional como a capilarização da indústria, com modelos de negócios voltados também para exibição, distribuição global em todas as janelas” disse. 

Para Andressa, que participou nesta sexta-feira, 8, de live do Tele.Síntese, a política deve dispor de programas avançados de atração de investimentos, capacitação profissional, incremento da infraestrutura, com redução do Imposto de Importação de equipamentos cinematográficos. Defende também menos burocracia, fomento para criação de hubs de produção e distribuição. “Ou seja, precisamos de políticas públicas desenvolvimentistas que atinjam toda a cadeia de valor”, disse. 

A diretora da MPA afirma que medidas restritivas, regulatórias, protecionistas e fiscais, reduzem em 5% a exportações de bens e serviços audiovisuais. “É o país mais criativo e a indústria do audiovisual precisa ser incentivada”, observou, lembrando que o Brasil tem tido preferência de lançamento das plataformas internacionais, como fez a Disney, 

-Se formos falar do pós-pandemia, quando a indústria em todo o mundo sofreu o equivalente a um soco no estômago, o que precisamos agora é de batalharmos em conjunto num ambiente que seja bom para todo mundo”, disse Andressa. Para ela, não há que se falar em regulação nesse momento, se não pensar no que está se passando atualmente, com ajustes imediatos. 

Números 

Segundo Andressa, em 2020 a receita global do mercado de entretenimento foi de US$ 80 bilhões, sendo US$ 60 bilhões de serviços digitais. Mas a receita da TV por assinatura, mesmo com queda de 18%, chegou a US$ 233 bilhões, muito acima  do que obtiveram as OTTs. A receita com cinema, no entanto, caiu de 70% a 75%, em função da pandemia. 

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