Motorola Solutions se transforma em “máquina de aquisições”


Companhia vai intensificar estratégia de compras para ampliar participação em diversos mercados, inclusive no Brasil, na área de segurança. Empresa também migra para um modelo de entrega de serviços e desenvolvimento de software.

Paulo Cunha, o PaCu, country manager da Motorola Solutions no Brasil.
Paulo Cunha, o presidente da Motorola Solutions no Brasil.

A Motorola Solutions, tradicional fabricante de dispositivos de comunicação segura em radiofrequência passou por uma reestruturação e redefinição de estratégia de negócios em 2015. Diante de um cenário desafiador, a empresa resolveu focar na entrega de serviços gerenciados e no desenvolvimento de software.

Está, também, disposta a crescer por aquisição nos principais mercados em que atua – incluindo o Brasil. Para isso, sua divisão de investimentos, a Motorola Ventures, se associou ao fundo SilverLake (responsável por estruturar a recente aquisição da EMC pela Dell) para se transformar, nas palavras de Paulo Cunha, presidente da Motorola Solutions no Brasil, “em uma máquina de aquisições”. O executivo conversou nesta sexta-feira, 11, com jornalistas, em São Paulo.

Lá fora, a companhia anunciou, na última semana, a compra da Airwave, operadora britânica de redes seguras. O negócio, de US$ 1,2 bilhão, transformou a Motorola Solutions na responsável pelas comunicações das forças de segurança britânicas. Novas aquisições, em diferentes mercados, devem se tornar rotina em 2016 e além. Também comprou, este ano, a fabricante de drones CyPhy Works.

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No Brasil, deve demorar um pouco mais, mas as compras acontecerão. “Já iniciamos conversas com empresas daqui, mas nada de curto prazo, no momento”, diz. São alvos preferenciais empresas que desenvolvam tecnologias em segurança pública, com uma carteira em formação, tecnologia já testada no mercado e que começam a dar resultados sólidos.

Transformação
O ano de 2015 vai ficar para a Motorola Solutions com uma etapa de mudanças. “Nós saímos de um modelo de empresa que vende e oferece suporte em tecnologia para uma empresa que é contratada e entrega SLA”, resume Cunha.

Ao longo do ano, começou a oferecer consultoria e operação de sistemas de comunicação privada em LTE não licenciado, incluindo a gestão de serviços de telecomunicações. Com maior foco na entrega de serviços, mudou também o perfil dos funcionários da empresa. O executivo não abre número para a operação local, mas explica que, aqui, como nas subsidiárias mundo afora, cresceu a busca por especialistas em software para alocar em P&D. Ao menos 70% da equipe de pesquisa, no mundo, já é dedicada ao segmento.

O resultado dessa transformação foi aumento da importância de contratos com empresas privadas e redução do impacto do setor público. Pelas contas de Cunha, a Motorola Solutions do Brasil vai encerrar o ano com 60% de clientes do setor privado – como mineradoras, bancos etc. – e 40% do setor público – principalmente, forças de segurança e saúde. Um ano antes, a proporção era de meio a meio.

O resultado exato na América Latina ele não revela. Diz que a região teve o resultado impactado em US$ 50 milhões em função da variação cambial. No mundo, a Motorola Solutions cresceu, atingindo receita de US$ 6 bilhões. O capex no ano deve ser de 13% da receita. No Brasil, não fosse o câmbio, o resultado teria sido pouco afetado pela macroeconomia. “Conseguimos a renovação de contratos de longo prazo, no setor público, em muitos estados, de cinco anos, e no setor privado, de até 10 anos”, comemora.

Oportunidades
lex-motorola-solutions smartphone criptografiaCunha conta que as Olimpíadas se descortinam como grande oportunidade. A empresa vai levar de Brasília para o Rio de Janeiro o aparato de segurança que construiu para a Copa do Mundo. A rede usa o LTE para missão crítica, permitindo o tráfego IP. A tecnologia amplia a comunicação das forças de segurança, que poderão trocar dados além de voz.

Mas haverá uma grande diferença. No projeto montado para a Copa de 2014, a Motorola criou uma rede LTE de missão crítica para uso do exército, polícia etc. A rede permitia a transmissão de vídeo e outros dados, para uso da força. Nos Jogos Olímpicos, haverá uma camada de software da Motorola nas centrais, que será capaz de analisar as imagens transmitidas. “Enquanto a Copa trouxe o uso da imagem com o LTE, as Olimpíadas vão marcar a integração da imagem com as aplicações”, antevê o executivo.

A Motorola Solutions também vai lançar, no primeiro semestre de 2016, o smartphone Lex010i. O aparelho é voltado para o setor privado. Usa sistema operacional Android, e se assemelha a um celular fortificado. O sistema é mais robusto que o Android comum, pois traz criptografia de dados em três camadas, sendo uma delas em hardware. O dispositivo será vendido como parte de pacotes de serviços ou de forma avulsa, mas sempre para outras empresas, no modelo B2B. O preço ainda não foi definido.

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