Momento é propício para resolver conectividade nas escolas

Várias fontes de recursos, como Fust, leilão do 5G e programas do MEC criam, para especialista, um momento único

Quarto Painel: Como a adoção de tecnologia pode potencializar a aprendizagem - Edtechs e as Escolas Publicas

Nunca houve um momento mais propício para resolver a questão de conectividade das escolas públicas, com diversas fontes de recursos, como os do leilão do 5G, do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e de programa do Ministério da Educação. “Tem muita gente olhando para o mesmo problema”, festejou Flávio Rodrigues, gerente de Responsabilidade Social da Claro, durante sua participação no painel sobre adoção de tecnologias para potencializar a aprendizagem, do congresso Edtechs e as Escolas Públicas, promovido pelo Tele.Síntese nesta quarta-feira, 31.

Marcelo Pascios, diretor presidente da ASSESPRO-SP e do ITI Instituto Tecnológico Inovação, afirma que o dinheiro do Fust já está chegando aos municípios, fazendo toda a diferença. Lucia Dellagnelo, especialista e consultora da Unesco, OCDE e Broadband Commissiom da ONU reconhece que o momento é único, mas defende que se estabeleça o conceito de escola conectada.

Ela lembra que a ONU definiu a conectividade significativa como a que engloba conteúdo e frequência de uso. Para Cinara Moura, gerente de Marketing de Produto do Instituto Ayrton Senna, afirma que a conectividade garante acesso a novas formas de conhecimento.

Ferramentas

Lucia Dellagnelo defendeu a recolocação do debate da tecnologia na educação a partir de princípios e valores educativos, deixando de lado a visão alarmista criada com a inteligência artificial. “A tecnologia não pode criar mais divergências, mais desigualdades, ao contrário, ela deve ser usada como uma ferramenta para aprendizagem, mas não e só um meio, e sum um conjunto de conteúdos”, falou. Para isso, as escolas precisam da infraestrutura necessária e todos os atores devem ter as habilidades para usufruírem dessas oportunidades de aprendizagem digital. “E tudo isso precisa ser incluso na política educacional”, afirmou,

Já Cinara Moura vê a tecnologia como um meio para que se possa promover uma educação mais transformadora, que forme cidadãos mais críticos para pensar a sociedade em que vive, para tomar boas decisões, para olhar o mundo de uma forma mais ecossistêmica. “Aqui no Instituto Ayrton Senna a gente trabalha muito nessa jornada. Temos um time de plataforma olhando para isso, juntamente com o time de evidências olhando o ponto de vista científico e a gente se pergunta como a tecnologia pode encontrar soluções para fazer a transformação nas escolas”, disse.

Flávio Rodrigues defende que a tecnologia deve ser transversal e transformacional, precisa ser incorporada para fazer parte do dia a dia da comunidade escolar, mas a solução não vai estar em um aplicativo ou gadget. “A gente está falando em um país gigante com realidades distintas e ainda faltas dar alguns passos para a diminuição das desigualdades”, disse.  Ele acredita que coisas incríveis estão sendo feitas, mas é preciso manter o pé no chão para superar os desafios.

Marcelo Pascios, por sua vez, defende que tecnologia seja ensinada nas escolas desde a base. “Nós vamos em breve ter um gap de 700 mil pessoas, vamos ter que preparar jovens para o mercado de trabalho, a estrutura tem que acontecer sem que haja desigualdades”, disse. Por isso defende a inclusão no currículo básico matérias como raciocínio lógico, linguagem Phyton e programação.

Avatar photo

Lúcia Berbert

Lúcia Berbert, com mais de 30 anos de experiência no jornalismo, é repórter do TeleSíntese. Ama cachorros.

Artigos: 1588