Missão de autoridades dos EUA ao Brasil gera reação da China


A viagem de autoridades norte-americanas ao Brasil na última semana gerou um mal-estar diplomático. Novamente, China e Estados Unidos se colocaram em lados opostos quanto à construção das redes 5G. Os americanos pressionam aliados para banirem a fabricante Huawei dos serviços móveis.

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Ao passar pelo país, o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, encontrou-se com Jair Bolsonaro e o ministro Fábio Faria. Na pauta dos encontros relativos à área de telecomunicações, o próximo leilão de espectro 5G. Sullivan voltou a defender a “segurança das redes de telecomunicações” e pediu incentivos à Open RAN, padrão em que os softwares que operam a rede rodam em qualquer hardware, o que reduziria a dependência das operadoras em relação ao fabricante chinês.

Tobias Bradford, porta-voz da Embaixada dos EUA soltou comunicado na sexta, 6, na qual não se esquivou de acusar o alvo. Além da defesa da Open RAN para que haja diversificação da cadeia de fornecedores, o americanos se opôs à presença da Huawei nas redes locais.

“Em relação ao 5G, os EUA continuam a ter fortes preocupações sobre o papel potencial da Huawei na infraestrutura de telecomunicações do Brasil, bem como em outros países ao redor do mundo”, disse Bradford na nota, na qual fez um balanço da visita do chefe Sullivan.

Resposta chinesa

No sábado, 7, veio a reação chinesa. A embaixada do país soltou também um comunicado no qual criticou o posicionamento dos EUA e dos representantes que aqui estiveram.

“Os ataques dos EUA à segurança da tecnologia 5G e às empresas chinesas são mal-intencionados e infundados. Seu verdadeiro objetivo é difamar a China e cercear as empresas chinesas de alta tecnologia com a finalidade de preservar seus interesses egoístas da supremacia americana e o monopólio na ciência e tecnologia. A esse tipo de comportamento que busca publicamente coagir os outros países na construção do 5G e sabotar a parceria sino-brasileira, manifestamos forte insatisfação e veemente objeção”, diz a carta pública da embaixada da China.

No texto, há defesa da Huawei. Diz a embaixada que nunca foi identificado nenhum backdoor em equipamentos da empresa. Afirma que são justamente os EUA uma ameaça à segurança cibernética mundial, um “império de hackers”.

“Durante muito tempo, agências de inteligência dos Estados Unidos conduziram, em grande escala e de forma organizada e indiscriminada, atividades de vigilância e espionagem cibernéticas contra governos, até mesmo dos seus aliados”, destaca a manifestação chinesa.

Por fim, a embaixada da China diz acreditar que o governo brasileiro “vai fornecer regras de mercado em sintonia com os parâmetros de transparência, imparcialidade e não discriminação para empresas chinesas e de qualquer outra nacionalidade, bem como continuar a manter um bom ambiente de negócios para a cooperação econômico-comercial sino-brasileira”.

A China é hoje o maior comprador de produtos brasileiros, à frente de EUA, Europa e Argentina. Nas redes locais, a Huawei é responsável por nada menos que 65% do 4G da Vivo, operadora móvel com maior número de clientes no celular. Está presente também nas redes de Claro, Oi, TIM, fornece infraestrutura e serviços em nuvem para estatais e órgãos de governo de todas as esferas, nos três Poderes.

Resultados

Os esforços dos EUA para coibir as operações da Huawei mundo afora estão surtindo efeito no desempenho da fabricante e empurrando a empresa para o universo do software. O grupo divulgou também na sexta, 6, que suas receitas somaram o equivalente a US$ 49,5 bilhões nos primeiros seis meses do ano.

O número representa uma queda de 29,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A maior parte do tombo veio da retração no mercado de smartphones, em que a empresa enfrenta a restrição de chips em função de sanções impostas pelos Estados Unidos. Também em função da venda da Honor, fábrica de smartphones de entrada que foi vendida no final do ano passado.

O CEO rotativo da Huawei, Eric Xu, traça um cenário desafiador para a companhia. No comunicado em que comenta o resultado do primeiro semestre, ele diz que o plano estratégico para os próximos cinco anos é “sobreviver”. Disse ele que apesar dos problemas na unidade de consumo em função de fatores externos, acredita no crescimento da demanda por parte das operadoras e do mercado corporativo.

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