Ministro quer exigência de 5G standalone no próximo leilão de espectro da Anatel


Fabio Faria conclui viagem aos países onde há fabricantes de equipamentos 5G dizendo que sem adoção de tecnologia standalone as novas redes móveis no Brasil serão redes 4G um pouco melhores, e que o padrão mais atual resultará em novas empresas e profissões.

A turnê mundial do ministro das Comunicações, Fabio Faria, pelas sedes das principais fabricantes de equipamentos 5G do planeta terminou hoje, 12. O ponto final da jornada se dá com declaração dele em defesa da exigência do padrão standalone (5G puro) no edital do próximo leilão de espectro da Anatel, a ser realizado ainda em junho.

“A nossa ideia é realmente implementar o 5G standalone, que é o 5G de verdade, para que a gente possa acolher toda a tecnologia que pode nos dar para desenvolver o nosso país. O 5G non-standalone é como se fosse um 4G plus”, diz o ministro, em nota divulgada por assessores da Pasta.

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Segundo Faria, o 5G standalone será capaz de “trazer novas empresas, novas tecnologias, novas profissões e vai ajudar muito as empresas a fornecer a internet das coisas”.

A questão tem relação direta com a proposta de edital do próximo leilão da Anatel, elaborada pelo conselheiro Carlos Baigorri. O texto obriga as empresas a adotarem o padrão “release 16” da 5G nas redes que usarão o novo espectro de 3,5 GHz, com requisitos técnicos que exigem a instalação de redes standalone, ou seja, que rádio e núcleo de rede sejam 5G.

As operadoras Claro e Vivo questionam tal demanda. Ambas apoiam liberdade para que as empresas invistam na tecnologia 5G que considerarem melhor em seus planos de negócio. Afirmam que exigir o release 16 vai encarecer a implantação das novas redes no país. O release 15, por exemplo, considera 5G redes com rádios 5G e núcleo de rede LTE (4G). A TIM tem voz dissonante, diz o preço não muda e defende a exigência proposta por Baigorri.

Viagem

Também participaram da missão internacional os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas, Vital do Rêgo e Walton Alencar, o secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Flávio Rocha, além de comitiva do Minicom.

“É uma viagem para que a nossa delegação possa conhecer a tecnologia 5G. O TCU vai avaliar e fiscalizar todo o processo e está aqui tirando as dúvidas com o intuito de acelerar o tempo que o processo vai ficar em análise”, explica Faria. A viagem começou em 2 de fevereiro e passou por Suécia (Ericsson), Finlândia (Nokia), Japão (NEC e Fujitsu) e China (Huawei).

Após ser aprovado pelo Conselho Diretor da Anatel, o que pode acontecer ainda neste mês, o edital do 5G será remetido à apreciação do TCU, que terá 150 dias para analisá-lo. A previsão, no entanto, é que o prazo seja reduzido em até 60 dias – ou seja, para 90 dias.

Portaria

Alguns dos pontos que devem ser contemplados pelo edital do leilão foram definidos em portaria publicada pelo Ministério, como a criação de uma rede privativa para a Administração Pública Federal, que também será oferecida aos outros Poderes, bem como a expansão de internet nas rodovias federais, a implantação de estrutura de fibra óptica no âmbito do programa Norte Conectado.

Se em relação ao 5G standalone, Claro e Vivo têm pontos de vista diversos dos da TIM, quando o assunto são as obrigações da portaria, as críticas das operadoras são unânimes. Elas consideram onerosas demais as exigências para construção de rede privativa nacional federal e de construção de rede subfluvial na Amazônia.

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