Mesmo com crise, Oi não pode prescindir da TIM


A crise na PT, que levou a redução da participação de seus sócios na futura Oi de 37,4% para 25,6%, coloca mais um obstáculo na operação de compra da TIM pela Oi. Mas, na avaliação de alguns analistas, não enterra o negócio. Até porque a sobrevivência da Oi interessa a vários agentes. Ao governo, porque a Oi é a maior concessionária do país (cobre todo o território nacional à exceção do estado de São Paulo e do Triângulo Mineiro) e tem obrigações até 2025. Aos concorrentes Claro e Telefônica Vivo, porque o fortalecimento da Oi por meio da compra e fatiamento da TIM significa também o seu fortalecimento com a eliminação do quarto player na telefonia móvel.

“A operação de compra da TIM pela Oi, e venda futura de parte da empresa para a Claro e Telefônica Vivo, é uma operação muito complexa, tanto do ponto de vista regulatório e de defesa da concorrência quanto do ponto de vista do negócio em si. São muitas barreiras a serem vencidas, mas é uma operação muito importante para o futuro da Oi no mercado, pois para se manter competitiva não pode ser a quarta no mercado de telefonia móvel no país. A crise envolvendo a PT cria uma nova dificuldade, mas não acaba com a operação”, diz um analista que acompanha essa movimentação.

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Mesmo o elevado endividamento da Oi, cuja dívida líquida cresceu para R$ 45,5 bilhões com a redução da participação dos sócios da PT, não é barreira intransponível para a compra da TIM, segundo esse ponto de vista sustentado por alguns interlocutores. Até porque, como revelou o Valor Econômico na sua edição de hoje (18), a operação de compra da TIM, capitaneada pela Oi, já estava articulada com seus dois concorrentes Claro e Telefônica Vivo, que já teriam assegurada a opção de compra de parte da operadora que seria exigida pelos reguladores para garantir a concorrência.

A leitura dessa corrente é de que o fortalecimento da Oi é fundamental para o próprio governo brasileiro por se tratar da maior concessionária do país. E seria por isso que a Telefónica estimulou que a Oi, e não ela própria, fosse a protagonista da operação. Como ela depende de aprovação dos órgãos reguladores (Anatel e Cade), essa aprovação, ainda segundo esses analistas, teria mais chance de acontecer dentro desse cenário. “Todos torcem para que a Oi de certo. Acionistas, governo e concorrentes”, resume um interlocutor.

Fator GVT

Mas a análise de que ainda há chance de a Oi vir a comprar a TIM, pelas circunstâncias políticas apontadas, não é consensual. Há analistas que vêem, na crise da PT, o aumento da chance de serem retomadas as negociações para a fusão entre GVT e TIM, já ventilada no passado. Na época em que o grupo Vivendi pensou em vender a GVT, gestores da TIM no Brasil viram aí uma grande chance para a operadora se consolidar no país, ampliando sua operação fixa e, acima de tudo, colocando um pé no mercado corporativo onde tem participação marginal.

Mas o valor pedido pela GVT  – na época, final de 2012, falava-se em R$ 19 bilhões – foi considerado elevado demais. Agora, de acordo com informações apuradas pelo Valor Econômico, o grupo Vivendi, que praticamente saiu do mercado de telecom na Europa para se concentrar no de entretenimento, estaria revendo sua estratégia e teria interesse em se manter no mercado.  A Telecom Itália, que declarou publicamente que não estava interessada na compra da GVT, ainda segundo o jornal teria mudado de posição.

Executivos próximos à operadora italiana avaliam que, apesar das dificuldades que enfrenta na Itália, não faz sentido ela vender a TIM Brasil, seu principal ativo. “A não ser que seus sócios queiram vender a operadora na Itália”, raciocina ele. Em sua avaliação, tanto a fusão como a compra da GVT pela TIM Brasil faz todo o sentido. “Hoje a TIM  tem melhor saúde financeira que a Oi e pode se endividar para fazer esta operação”, diz a fonte.

Essa história ainda terá muitos outros capítulos. E o desfecho ainda não está escrito.

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