Merrill Lynch recomenda mais investimentos em rede por operadoras móveis brasileiras


Para afastar a sensação de comotização do setor e atrair investidores, as empresas de telefonia móvel no Brasil precisam investir mais em infraestrutura, ainda que seja um processo muito custoso. A avaliação foi feita pelo diretor da Merrill Lynch no país, Maurício Fernandes, em seminário realizado pela Anatel, nesta quarta-feira (26), sobre competição.

Isto porque, segundo Fernandes, o retorno de capital dessas empresas é pequeno e o custo do dinheiro está cada vez maior e a saída para essas empresas é buscar a diferenciação por meio de ofertas atrativas de serviços. Segundo ele, apesar do crescimento violento do tráfego de dados, esse serviço é ainda um desapontamento para as operadoras brasileiras, já que representa em torno de 25% de suas receitas. Porém, alerta, é onde ainda há espaço para crescer, especialmente nos mercados emergentes.

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“A tendência é de que voz de transforme em um aplicativo do serviço de dados, perdendo completamente o valor”, disse o diretor da Merrill Lynch. Ele citou o exemplo da operadora Swisscom, da Suíça, que passou a cobrar serviços apenas pela velocidade, independentemente do volume de dados consumido pelo usuário. Mas, para isso, sustenta, investiram muito em rede.

Fernandes disse que a média de investimentos das operadoras brasileiras em relação à receita só tem subido. “Há dois ou três anos, esse percentual era de 15% a 16% e, para 2014, já há notícias de capex está entre 17% a 20%”, afirmou. Ele diz que esse movimento desagrada a investidores, que querem ver dinheiro em caixa, mas afirma que não há outra saída.

A expectativa de crescimento do setor no Brasil para 2014 é de 4%, acima, portanto, dos 3% estimados para países desenvolvidos. Fernandes afirmou que, no Brasil, a forte competição da telefonia móvel dificulta ainda mais os investimentos. Ele disse que, em função da concorrência, o preço do minuto de voz caiu quase 70% nos últimos anos, passando de R$ 0,30 para R$ 0,10. Essa queda também foi provocada pela redução da VU-M que, na opinião das operadoras, foi menos gradual do que o esperado.

Concentração

Fernandes destacou que, como resultado do baixo retorno de capital, a tendência de concentração nesse mercado é muito grande, em todo mundo. “É natural que a parte mais fraca, aquele que tem menos capacidade de investimento acabe desistindo do negócio”, afirmou.

No Brasil, as vendas da TIM, da GVT ou da Nextel não serão novidades para o mercado financeiro; ao contrário, é uma expectativa real. A questão da operadora italiana é a mais avançada, que tem o melhor ativo, e existe um grande desejo das demais operadoras em comprá-la.Porém, afirma Fernandes, as medidas regulatórias no Brasil são fortes e ainda não se vislumbra uma solução para o caso.

– A GVT não tem dívida, mas está sozinha no meio dessa historia, então fica mais difícil prever qual o caminho para essa empresa. Imagino que, se não houver comprador, a solução seja se juntar com a TIM, que seria uma alternativa para a não consolidação no mercado brasileiro”, disse o diretor da Merrill Lynch.

No caso da Nextel, há um receio do mercado sobre o seu modelo de negócio — ela está investindo, queimando muito caixa para mudar do serviço de voz por rádio para dados. “Hoje, a dívida líquida dessa empresa é de US$ 4 bilhões e não se vê comprador para ela”, disse Fernandes.
 

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