Mercado de PCs segue encolhendo no país


A consultoria IDC Brasil divulgou hoje, 14, novos números sobre o mercado nacional de computadores. O relatório mostra uma queda de 38% nas vendas no segundo trimestre deste ano, na comparação com igual período de 2014. Ao todo, foram 1,637 milhão de computadores vendidos, sendo cerca de 600 mil desktops – queda de 41% – e 1,037 milhão de notebooks – 37% a menos do que foi registrado no 2º trimestre de 2014.

O mercado de PCs vem encolhendo, ano a ano no país. Desde 2011 as venda perdem terreno. No segundo trimestre de 2014, em relação a 2013, houve queda de 26%. O ano teve queda igual, também de 26%. Em 2013, a queda foi de Em 2012, 2%. o setor encolheu 10%. O movimento segue ainda uma tendência mundial, de redução do interesse do consumidor por novos computadores. As vendas de PCs no mundo também estão em queda, e deve ter retração este ano, apesar do lançamento do novo Windows. 

Para  IDC, a situação no Brasil é influenciada por toda sorte de fatores, com forte relação com o momento econômico e político. A alta do desemprego, a queda na confiança do consumidor e até mesmo os escândalos de corrupção levaram o brasileiro a comprar menos máquinas. O desinteresse pelo produto também tem forte peso. “É difícil encontrar novos usuários, o mercado se sustenta como em mercados maduros. Há alguns anos, 2008 ou 2010, o dispositivo mais barato para acessar a internet era o computador. A substituição do PC pelo smartphone fica clara”, diz Reinaldo Sakis, gerente de pesquisas da IDC Brasil.

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Os dados fazem parte do estudo Brazil PCs Tracker Q2. O levantamento mostra ainda que 70% das vendas foram para o consumidor final e 30% para o mercado corporativo. Com o resultado, o país caiu da 7ª para a 8ª colocação no mercado mundial, atrás de EUA, China, Japão, Índia, Reino Unido, Alemanha e França.

“Os números estão abaixo de nossa projeção e as vendas estão bastante estagnadas em ambos os mercados”, afirma Pedro Hagge, analista de pesquisas da IDC Brasil. Segundo ele, os consumidores estão muito cautelosos e não querem investir e nem se endividar para comprar não só computadores, mas bens duráveis como um todo.

Além disso, nem as datas comemorativas têm conseguido dar fôlego ao mercado. A crise tem afetado, especialmente, o mercado corporativo que está concentrando os investimentos em ferramentas para aumentar a vida útil dos aparelhos. “Desde o ano passado, grandes empresas têm adiado investimentos de renovação do parque”, ressalta Sakis.

Outro problema do mercado de PCs é a alta do dólar, já que grande parte dos componentes é importada. “A cotação da moeda americana impacta todo o elo de produção de um computador. Com o mercado estagnado como está, muitos fabricantes estão investindo em outras categorias de produtos”, completa Hagge.

Ele acredita que o 3º trimestre tende a ser melhor, muito por conta das promoções do Black Friday, que este ano traz uma novidade: pela primeira vez o evento deve ser usado para vender computadores mais antigos, que é o que acontece nos EUA. “Em anos anteriores, no Brasil, linhas recém-lançadas eram vendidas por preços muito atrativos, algo que não deverá ocorrer em 2015″, afirma. Já sobre o Windows 10, Hagge diz que a atualização de um sistema operacional não gera mais a mesma comoção que gerava antigamente, e que os canais de venda devem abastecer o mercado com PCs com o Windows 10 instalado para o Natal.

Até o final do ano, a IDC Brasil estima que 7,4 milhões de computadores sejam comercializados, volume que representa uma queda de 29% frente a 2014, quando 10,3 milhões de PCs foram vendidos no país. A consultoria tem, também o impacto da MP 690, que deve afetar o faturamento das fabricantes.

[Atualizado às 18h15 com os comentários de Reinaldo Sakis]

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