Megavazamentos de dados se deram ao longo de anos, diz Ortunho, da ANPD


Presidente da Autoridade Nacional de Proteção de Dados disse que investigações estão progredindo com auxílio de diferentes órgãos federais. Ele prevê a assinatura de acordos futuros de cooperação com Anatel, CERT.br e Polícia Federal.

O presidente da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Waldermar Ortunho, afirmou hoje, 23, que os dois megavazamentos recentes de dados de brasileiros não são resultado de incidentes únicos, ou seja, através do acesso em uma só ocasião aos bancos em que estavam armazenados. Investigações preliminares, disse, apontam para falhas sucessivas, ocorridas ao longo de anos.

“Não tem nada conclusivo, mas já observamos que são vários vazamentos ocorridos ao longo de diversos anos, por isso tem dados de pessoas já falecidas. Esperamos que a investigação tenha um final conclusivo. Acreditamos que teremos resultados”, disse, ao participar do Seminário de Políticas em Telecomunicações, feito pelo site Teletime e pela UnB.

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Neste ano foram identificados pelo menos dois megavazamentos. A empresa PSafe encontrou à venda na dark web bancos de dados pessoais de 223 milhões de brasileiros em uma ocasião, e de 100 milhões de pessoas em outra.

O primeiro vazamento continha informações como nome, CPF e score, o que levantou a suspeita de falha da empresa Serasa Experian. A empresa afirma que ainda está investigando se os dados saíram de suas bases.

O outro vazamento teria se originado em operadoras de telecomunicações por trazer dados telefônicos. Tanto a Vivo, como a Claro, que administram os números vazados, negam qualquer incidente.

Cooperação com outros órgãos

Ortunho ressaltou ainda que a ANPD não tem os quadros para investigar os vazamentos, por isso recorre a parcerias com demais instituições federais. “Para entender o que está acontecendo, solicitamos informações das empresas. Temos poder de fiscalizar, mas o poder de polícia não nos cabe. Acionamos o Ministério Público Federal, a Polícia Federal, a Senacon, o CERT.br, todos os órgãos que podem compor com a ANPD”, afirmou.

O executivo ressaltou que a ANPD terá muita colaboração de outros órgãos. Ainda em março será firmado um acordo com a Senacon, para definição dos limites de atuação entre ANPD e a secretaria do Ministério da Justiça para o Direto do Consumidor.

Também será assinado acordo de cooperação com o CERT.br, braço do NIC.br para estudos, resposta e tratamento de incidentes de segurança na internet no Brasil, com Polícia Federal e com a Anatel.

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