Alessandro Quattrini: Mais espectro para a banda larga móvel em debate na UIT


As TICs que sustentam a Sociedade Conectada não conseguem funcionar sem mobilidade, ou não conseguem funcionar sem tráfego de dados sobre espectro. Como resultado, o espectro, bem finito, tende a se tornar cada vez mais escasso e precioso.

Alessandro Quattrini é gerente de Relações Governamentais e Industriais da Ericsson no Brasil
Alessandro Quattrini é gerente de Relações Governamentais e Industriais da Ericsson no Brasil

Por Alessandro Quattrini

Entre 2 e 27 de novembro deste ano, será realizada em Genebra, Suíça, a Conferência Mundial de Radiocomunicação da UIT (União Internacional de Telecomunicações ). A Conferência, realizada a cada três ou quatro anos consiste em examinar e, se necessário, modificar o Regulamento das Radiocomunicações, que é o tratado internacional que rege a utilização do espectro de frequências radioelétricas. De acordo com a Constituição da UIT, a Conferência “poderá revisar o Regulamento das Radiocomunicações e qualquer dos respectivos Planos de Designação e Identificação de Frequências”.

O setor de telecomunicações passa atualmente por um momento de profunda transformação, e o reflexo mais importante desta mudança é que, por conta das Tecnologias da Informação e Comunicação (“TICs”), todos os setores da sociedade estão se transformando. O setor de TICs está se expandindo para mais áreas da sociedade e dos negócios, e oportunidades notáveis de inovações radicais e disruptivas estão surgindo em indústrias, serviços públicos e na vida privada.

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Ao possibilitar novas maneiras para que as pessoas criem, aprendam, produzam e inovem, o setor de TICs pode ter um impacto positivo, sustentável e de longo prazo em nossa economia, e, de modo mais amplo, em nosso mundo.  Na Ericsson, denominamos esta nova sociedade que está sendo moldada de Sociedade Conectada e temos a visão de que em 2020 teremos 50 bilhões de conexões em todo o mundo, sejam pessoas, localidades ou coisas conectadas.

Com relação à banda larga móvel, a última edição do Relatório de Mobilidade da Ericsson , lançada em 3 de junho, disponibiliza dados sobre seu crescimento em todo o mundo, dos quais destacamos:

Grafico Ericsson 1

Destes dados, é possível identificar a transição da base de assinantes para LTE/HSPA e predominância de tráfego de dados em smartphones. Ainda, para melhor ilustrar o crescimento exponencial da banda larga móvel em todo o mundo, vale destacar que no exíguo espaço de um ano entre 4T/13 e 4T/14, houve 55% de crescimento no tráfego global de dados móveis, e a tendência irreversível de ascensão de vídeo trafegado sobre redes móveis. O que nos faz ressaltar a previsão da Ericsson de que 50% do total do tráfego global de dados será atribuído a vídeo em 2019. Todos estes dados convergem para a realidade de que a banda larga móvel permanecerá o principal propulsor da Sociedade Conectada.

As TICs que sustentam a Sociedade Conectada não conseguem funcionar sem mobilidade, ou seja, não conseguem funcionar sem tráfego de dados sobre espectro – esta é a realidade neste começo de século que caracteriza o setor de TICs. Como resultado, o espectro, bem finito, tende a se tornar cada vez mais escasso e precioso. É com base na necessidade premente de mais e mais espectro para a banda larga móvel que a indústria volta suas atenções para a Conferência de novembro, na expectativa de que novas frequências sejam identificadas para a prestação de serviços de banda larga móvel (“IMT” – International Mobile Telecommunications).

A Ericsson considera, em nível global, que quantidade adicional de espectro entre 400 e 1000 MHz será necessária para atendimento à sempre crescente demanda por serviços móveis. Esta quantidade resulta do espectro em torno de 1000MHz por região já identificado e a necessidade de 1340-1960 MHz de espectro disponível para a demanda em 2020. Na nossa região (Américas), por exemplo, o espectro já identificado é o de 951MHz. Vale lembrar que, na América Latina, o espectro disponível atualmente está na média de 360 MHz por país, a mais baixa média regional no mundo. Felizmente, o Brasil destoa desta média, com atuais 680MHz disponíveis.

Grafico Ericsson 2

Com vistas à identificação de novas faixas de frequência para IMT, representantes da indústria de telecomunicações trabalham junto às administrações nacionais e respectivas Confederações em suas reuniões preparatórias. Por conta destas discussões, vemos que são muitas as faixas, variando desde as mais baixas até as mais altas, que são candidatas para identificação IMT na Conferência.  Considerando um total aproximado de 12 faixas candidatas, tentamos aqui identificar algumas prioritárias, que, por suas características de largura e coexistência com outros serviços, seriam de fundamental importância para a sociedade:

  • 470-698 MHz: Alocação co-primária para serviços móveis e de radiodifusão, a exemplo do que já existe em alguns poucos países das Américas, e em toda a região da Ásia-Pacífico. Esta alocação é de fundamental importância para flexibilidade no futuro.
  • 1350-1400 MHz: O Brasil propôs a identificação desta banda para IMT. A indústria móvel espera que demais países, em especial no âmbito da Citel, apoiem mais esta importante iniciativa brasileira.
  • 1427-1518 MHz: Alocação de mais espectro na faixa de 1400MHz para IMT. O Brasil e demais países das Américas apoiam esta identificação.
  • 2700-2900MHz: Mais um exemplo em que alocação co-primária a serviços móveis seria importante para maior flexibilidade no futuro. No caso desta banda, a alocação permitiria compartilhamento com radares por meio de segmentação adequada.
  • 3400-3800MHz: Existe forte expectativa que esta banda seja a mais importante a ser identificada na Conferência para IMT em virtude dos inúmeros benefícios, tais como uso aberto para redes macro e micro (Redes Heterogêneas) em ambientes outdoor e indoor.
  • 4400-4500 MHz e partes de 4800-4990 MHz: A identificação destas bandas está recebendo cada vez mais apoio na Ásia e tem potencial na América Latina.

Por fim, relembramos que na última Conferência de Radiocomunicação, em 2012, não houve  identificação de nenhuma nova faixa de frequência para serviços móveis, pois naquele ano não houve nenhum item de agenda para a identificação de espectro para IMT. Considerando que a última Conferência em que espectro foi identificado para serviços móveis foi em 2007, a identificação das faixas acima para IMT, dentre outras, na próxima Conferência em novembro torna-se ainda mais crítica à expansão de plataformas de redes móveis para o contínuo desenvolvimento das TICs que atendem às necessidades da Sociedade Conectada.

Alessandro Quattrini é gerente de Relações Governamentais e Institucionais da Ericsson para o Brasil.

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