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M&A continua no mercado de telecom, com valores mais baixos

Avaliação é do diretor da Brasa Capital, Rodrigo Leite, que vê vantagens no momento para operadoras de redes neutras

Sidnei Batistella/Crédito: Tele.SínteseO Managing Director da Brasa Capital, Rodrigo Leite, afirmou, nesta sexta-feira, 23, que o movimento de M&A no mercado de telecom, apesar de parecer o contrário, está muito intenso, mas com um valuation mais baixo do que já foi. “Mas está acontecendo o tempo todo, com fechamento de negócios”, disse.

Leite disse que essa consolidação vai continuar a todo vapor nos próximos 20 anos. Ele participou do INOVAtic Nordeste, evento promovido pelo Tele.Síntese, no painel que debateu os modelos de fortalecimento e expansão dos provedores.

Segundo o consultor, a história de consolidação em telecomunicações é igual a de outros mercados que têm muitos players, é sempre muito longa e orientada a grandes ciclos de custo de capital, por questões macroeconômicas, e tecnológicos.

– Nesse mercado têm empresas diferentes, as atacadistas, B2C, big telcos, mais recentemente, as infracos e a evolução tecnológica acaba fazendo com que um modelo de negócio ou outro passe a ter maior vantagem. De 2013, 2014 até 2021 foi uma enorme vantagem nas mãos dos pequenos. Agora, com o capital cada vez mais caro, o fato de que a maioria dos mercados está saturado de fibra, a gente tem uma reviravolta”, avalia;

Leite ressalta que os grandes vendedores de equipamentos já reportam que os ISPs não são os maiores compradores, mas sim a coletividade das empresas que operam rede neutra. Isso faz sentido porque eles são os players mais capitalizados do setor. Nesse momento, o capital está muito mais disponível em quem está promovendo um modelo de negócio diferente, afirma.

“Então nós estamos tendo uma batalha de modelo de negócios e obviamente, que tem mais dinheiro e que é muito mais confortável para os fundos de infra, que preferem trabalhar com rede neutra a varejo”, observa.

Pilares

Rodrigo Leite aconselha aos ISPs que querem vender suas operações a se basearem em três pilares, competitividade, qualidade de serviço e carteira robusta de cliente. Ter compliance de gestão e tributária, pagar postes e formalizar rede, além de balanços auditados.

E acrescentou: o empresário de telecom só ganha dinheiro quando vende a operação em um M&A. “Enquanto está atuando, ele tem que reinvestir quase a totalidade do lucro para se manter competitivo”, disse.

O diretor vice-presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Sidnei Batistella (foto), mediou o debate.

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