Lucro da Datora cai no 1º tri, impactado por custos e redução das receitas de VoIP


O lucro da Datora no 1º trimestre de 2022 caiu 21,53% em relação ao mesmo período de 2021, somando R$ 4,14 milhões. O resultado, explica a companhia, se deve ao aumento dos custos, que subiram 30,31%, e das despesas administrativas (+54,20%).

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Os custos somaram R$ 144,83 milhões no trimestre ,impactados pela inflação. As despesas administrativas, R$ 14,82 milhões. Estas aumentaram em razão da formação de equipe financeira e de governança dedicada à estratégia de financiamento, e custos inerentes ao processo de IPO (abertura de capital) – planejado para o ano passado, mas adiado indefinidamente após reversão das condições de mercado.

“Iniciamos 2022, novamente, pressionados por um cenário macroeconômico complexo. No Brasil, ainda que os principais indicadores macro não tenham afetado a companhia diretamente no 1º TRI de 2022, trazem pressão em cima dos custos de capital e das despesas e custos indexados à inflação para os próximos meses”, diz a empresa no relatório trimestral.

A Datora informa ainda que os custos fixos foram mais altos no trimestre devido à implementação da redundância de seu núcleo de rede IoT e do pagamento do Fistel.

As receitas subiram 25,91%, para R$ 166,6 milhões, compensando em parte o aumento dos gastos. O EBITDA (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) ficou em R$ 8,59 milhões, 31,84% menor que no primeiro trimestre de 2021.

As receitas não subiram mais em função do encolhimento no segmento de VoIP, tanto nacional, quanto internacional. Em compensação, a companhia cresceu no segmento CPaaS, em que se coloca como habilitadora de operadoras móveis virtuais.

Futuro próximo

Para os próximos meses, a empresa prevê desvalorização do real frente ao dólar, “o que de certa forma altera pouco nossa dinâmica, porque manteremos nossa política de hedge e teremos impactos positivos na receita devido ao segmento VoIP Internacional”, diz.

A inflação, afirma, deve ser domada. “Esperamos também os primeiros sinais da retração da inflação, que deve tirar a pressão em cima da Selic e, desta forma, diminuir a volatilidade nas curvas futuras de juros e reduzir os custos de captação”, acrescenta o documento.

Nenhuma dessas variáveis vai alterar o plano de expansão da empresa. “Mesmo entendendo que estes sinais possam vir só em 2023, continuaremos com nosso plano de investimentos, pois além de continuarmos observando uma performance crescente nos segmentos de CPaaS, que concentram grande parte da nossa alocação de capital e da geração de valor, temos 45% da necessidade de caixa em linhas pré-contratadas com custos travados e bem abaixo dos custos atuais”, conclui.

Projeto escolas conectadas

A empresa divulgou números de sua iniciativa de cunho social, o projeto Escolas Conectadas, em que leva fibra, junto com parceiros, a escolas públicas. O programa começou janeiro com 36 escolas atendidas, e terminou março com 40 e 108 em implantação. A meta para o ano é alcançar 500 escolas.

Até março, eram 21 mil alunos beneficiados, e outros 29 mil quando as escolas em implantação forem concluídas. O número total vai dobrar até dezembro, quando forem 500 escolas conectadas. Por enquanto, são 8 os provedores parceiros. A expectativa é chegar a 30.

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