Líder da minoria cobra explicações do Itamaraty sobre apoio à ação dos EUA contra Huawei


Requerimento encaminhado pelo deputado José Guimarães (PT/CE) rejeita alinhamento automático aos norte-americanos e defende que os interesses nacionais devem prevalecer, sem levar em conta o atraso dos EUA em relação à tecnologia 5G

O líder da Minoria na Câmara dos Deputados, deputado José Guimarães (PT-CE), apresentou ontem, 11, à Mesa Diretora da Casa, requerimento para que o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, explique na Câmara dos Deputado o apoio manifestado à iniciativa “Clean Network” (em português, Rede Limpa) do governo dos Estados Unidos.

A iniciativa tem por objetivo impedir que a fabricante chinesa Huawei de disponibilizar equipamentos para redes 5G em vários países. Para o parlamentar, aparentemente, a iniciativa visa garantir a segurança das redes e a privacidade dos cidadãos, entretanto, nos bastidores, esconde-se uma disputa geopolítica entre EUA e China de grandes proporções.

Guimarães defende que é evidente o fato que a Huawei detém a tecnologia 5G, e que os Estados Unidos por anos investiram na evolução da internet 3G e 4G, mas aparentemente ainda não possuem o mesmo domínio da nova tecnologia que os orientais.

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“A iniciativa “Clean Network” apesar de ter a aparente finalidade de “segurança de informação”, pode esconder o grande interesse dos Estados Unidos de impedir que países como o Brasil adquiram a tecnologia chinesa, antes que os americanos estejam prontos para uma concorrência à altura”, crítica o deputado do posto, que defende os partidos de oposição ao governo.

De acordo com a assessoria da Liderança da Minoria, o ministro tem prazo de 30 dias para responder às perguntas, sob pena de ser enquadrado em crime de responsabilidade, segundo os artigos 115 e 116 do regimento interno da Câmara dos Deputados. O requerimento deverá ser encaminhado ao Itamaraty pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ).

Interesses nacionais

Guimarães aponta ainda que o 5G quebrou o paradigma das gerações anteriores e abriu infinitas outras possibilidades em diversas áreas. Mas, “antes de um alinhamento automático ao interesse norte-americano, os interesses nacionais devem ser considerados e, em última instância, devem sempre prevalecer”.

No documento, diversos questionamentos são feitos ao Itamaraty. “Em que consiste a política “Clean Network” a que o governo brasileiro adere?”, “A adesão do Brasil a “Clean Network” poderá ter como consequência a exclusão da chinesa Huawei do leilão de 5G que o Brasil promoverá em 2021?”, “Considerando a exclusão das empresas chinesas do futuro leilão brasileiro, quais as alternativas que restam para o país nesta modalidade tecnológica?”, são algumas das perguntas.

Vale lembrar, acrescenta o deputado, que quem participa do leilão do 5G são as operadoras, apesar de algumas questões se voltarem a uma direta participação da fornecedora Huawei. A decisão de um bloqueio a empresa poderia ser vinculado à tecnologia o governo teria que editar uma norma específica a respeito.

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