LG deixa o mercado de celulares


A LG avisou nesta segunda-feira, 5, que decidiu sair do mercado de celulares. A empresa produz feature phones e smartphones. O conselho de administração do conglomerado sul-coreano aprovou o plano de encerramento da operação no segmento hoje.

A empresa é uma das 10 maiores fabricantes do mundo. Chegou a ser a terceira principal produtora do planeta, ao lado de Apple e Samsung, mas perdeu mercado com o avanço das competidoras chinesas, como Huawei, Xiaomi e Oppo. No comunicado em que anunciou o fim das linhas móveis, a empresa classifica o segmento móvel como “inacreditavelmente competitivo”.

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Embora produza grandes volumes, o segmento na empresa era deficitário. Em 2020, a área apresentou prejuízo equivalente a US$ 750,63 milhões, ou seja, cerca de R$4,15 bilhões. Em seis anos, a unidade perdeu US$ 4,5 bilhões. Já em 2016 a companhia previa um cenário nebuloso para o segmento, com aumento da competição e derrubada dos preços.

Demissões

A empresa não revela quantas pessoas serão demitidas. As subsidiárias de cada país onde há produção de celulares vão estruturar os planos para desligamento dos funcionários e encerramento das atividades. A previsão é que em todo o mundo, a unidade móvel esteja finalizada até 31 de julho.

O estoque atual de celulares seguirão à venda. A companhia diz que vai garantir o funcionamento e suporte aos usuários por um período “variável conforme a região”.

Rumores davam conta de que a empresa tentou, sem sucesso, vender sua unidade móvel. Com o fim da divisão móvel, a empresa vai focar agora nos mercado de componentes para veículos elétricos, dispositivos conectados, casa conectadas, robótica, inteligência artificial.

A empresa diz que vai participar do desenvolvimento da tecnologia 6G, embora não vá mais fazer celulares. A empresa também mantém patentes essenciais de tecnologia móvel que seguirão exploradas comercialmente.

Brasil

Em nota, a subsidiária local afirma que desde 2015 o grupo sofre com perdas operacionais no segmento celular. Foram 23 trimestres consecutivos de perda operacional, o que significou US$ 4,1 bilhões ao todo até o final de 2020.

“Depois de avaliar todas as possibilidades para o futuro do nosso negócio de celulares, o Headquarter Global decidiu por fechar esta divisão a fim de fortalecer sua competitividade futura por meio de seleção e foco estratégico”, explica.

A empresa diz que informou funcionários e parceiros ao longo dos últimos meses a respeito da decisão oficializada hoje. No entanto, há reação. A fábrica da empresa, em Taubaté (SP), tem 400 pessoas dedicadas à manufatura de celulares, de um total de mil empregados.

Os trabalhadores da empresa na cidade estão em greve desde o dia 26. Os dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região (Sindmetau) negociam o futuro dos funcionários. Um proposta deve ser apresentada pela LG até 9 de abril. Segundo o presidente do sindicato, Cláudio Batista, o grupo na semana passada, a fabricante negociava a venda da unidade de celulares para um grupo da África do Sul, mas não descartava o fechamento das fábricas ou reestruturação.

A LG afirma que negocia uma solução. As possibilidades são de realocação dos profissionais, transferência para outros setores, ou mesmo a rescisão contratual.

Fornecedores

A greve vai atingir ainda fornecedores. Conforme o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, trabalhadoras de três fábricas (3C, Blue Tech e Sun Tech) que atendem apenas a LG vão cruzar os braços a partir de amanhã, 6.

Caso se consolide o fechamento das fábricas, a entidade reivindica que todos os direitos pagos aos trabalhadores da LG sejam estendidos às funcionárias das fornecedoras.

As três fábricas produzem exclusivamente celulares para a LG, que nesta segunda-feira (5) anunciou o encerramento da produção de telefones móveis. A medida deve levar ao fechamento de 430 postos de trabalho nas fornecedoras, sendo a maioria ocupados por mulheres.

Em nota, a LG afirma: “cumpriremos com nossas responsabilidades sociais para minimizar os impactos não apenas à nossa empresa, mas também aos nossos parceiros com os quais mantemos relações comerciais ao longo dos anos, sendo que a produção da operação em Taubaté se mantem até o encerramento total dos insumos locais devendo operar normalmente”.

Lembra que a produção de outros equipamentos, como linha branca em Manaus e displays em Taubaté seguirão normalmente.

[Atualizado com posicionamentos da subsidiária brasileira e dos sindicatos]

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