ISPs querem conectar população de baixa renda com 5G SA um ano depois do leilão


Com estratégias diferentes, ISPs acreditam no 5G para ofertar planos de dados com preços mais baixos que os de fibra óptica. Um Telecom quer explorar o serviço de FWA, enquanto a Brisanet aposta em planos móveis e propõe que provedores digam por onde a limpeza da banda C começa no interior.

Os ISPs querem participar do leilão e não querem ter de esperar para colocar suas redes móveis de quinta geração no ar. Conforme falaram hoje, 25, Rui Gomes, presidente da UM Telecom, e José Roberto Nogueira, CEO da Brisanet.

Ambos estão com planos de participar do leilão e dizem que será possível implementar rapidamente uma rede 5G standalone. Gomes relatou que, por enquanto, aguarda a definição do edital pela Anatel. Ele estuda entrar na disputa ou sozinho, ou formando um consórcio com outros ISPs.

“Para as operadoras competitivas, quanto mais regional o lote, melhor. Se conseguíssemos que o edital trouxesse os lotes divididos por estado, seria um leilão mais competitivo”, afirmou. Ele também cobrou que a disputa preveja uso das frequências para serviço móvel (SMP) e para banda larga fixa (SCM). A intenção da Um é explorar esse mercado com tecnologia FWA, como serviço de comunicação multimídia.

Segundo ele, enquanto o leilão não acontece, a UM Telecom mantém a estratégia de expansão de sua rede de fibra óptica. A meta, afirmou, é levar a infraestrutura a todas as cidades do Pernambuco ao final de 2021.

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Cronograma

José Roberto Nogueira, da Brisanet, apontou preocupação dos pequenos com a proposta das grandes operadoras de escalonar a liberação da frequência de 3,5 GHz para uso na 5G. As teles sugeriram à Anatel que haja um processo escalonado de mitigação de interferências em TV aberta transmitida por satélite (TVRO). Por este cronograma, o 5G seria liberado antes nas capitais do que no interior. Todo o país teria 5G apenas após sete anos, o que seria prejudicial à população, avaliou o executivo.

“A 5G tem potencial de atender a metade da população que praticamente está sem internet. Pode ser usada para conectar a baixa renda, que não pode pagar R$ 80 em um plano FTTH. O 5G pode ser usado para atender à população desassistida, com planos de R$ 30”, ressaltou.

Para ele, um anos após realizado o leilão, a Brisanet, e outros ISPs, terão condições de ativar redes com a tecnologia 5G Standalone em suas áreas. Isso porque a infraestrutura óptica que suporta a rede já existe e está nas mãos dos pequenos. E o standalone dispensa a necessidade de ter previamente uma rede móvel 4G.

Também propôs uma forma de escalonar a liberação do 5G em cidades do interior: “Nossa sugestão é que o valor destinado para o processo de mitigação seja dividido em cinco partes, em cinco anos, e 20% seja aplicado no processo de mitigação ou migração, o que vier a ser. Nesse processo de cinco anos não será tão oneroso. Os provedores regionais que ganharam o leilão passam uma lista das cidades que pretendem atender em 12 meses, e aí é possível com 20% do recurso, fazer o atendimento a todos esses ISPs, fazendo a limpeza do espectro nessa ordem”, propôs.

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