ISPs aceleram movimento de consolidação e iniciam a separação estrutural


Os ISPs aceleram o movimento de consolidação entre eles próprios e iniciam um novo movimento que irá culminar com uma espontânea separação estrutural – com a desagregação das redes e da base de clientes – como respostas para as transformações do mercado brasileiro retratadas com o  ingresso  fundos de privety equity e a implementação da tecnologia móvel 5G, que vai consumir muita fibra óptica e banda larga. Essa pode ser a tradução da movimentação vivenciada na Abrint 2021, evento que reuniu em São Paulo, mais de 7,5 mil executivos ao longo dos últimos três dias.

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Segundo Breno Alves, conselheiro da Abrint, e ele mesmo um ex-ISP, pois recentemente sua operação de Minas Gerais foi comprada pela Vero Internet, os bancos e fundos de investimentos deram um claro recado no evento: as aquisições podem até continuar, mas elas passarão a ser feitas de outra forma. Ou seja, o interesse dos compradores pode estar apenas em uma boa rede do provedor ou em sua carteira de clientes, já que o objetivo dos fundos por agora, é seguir com o crescimento orgânico das operações já adquiridas. “O modelo de separação das estruturas já está sendo estudado por muitos”, assegurou ele.

Em outra vertente, muitos provedores de pequeno porte se organizam para ultrapassar o número mágico de 100 mil assinantes, e várias fusões foram concluídas ou iniciadas durante o evento. Para Carlos Raimar, presidente da Padtec, a busca, agora é chegar aos milhares de clientes.” Os provedores fizeram uma expansão extraordinária da fibra em todo o país, gerando valor para a sociedade. Agora, eles traçam um dever de casa arrojado, que é ir atrás de milhares de clientes”, diz. Para o executivo, no entanto, ainda continuarão a existir (e a se multiplicar) os pequenos ISPs, motivados pela grande diferença tributária que existe no guarda-chuva do Simples.

Para Raimar, a pulverização do mercado de banda larga fixa, que se observou até agora, também será iniciada na banda larga móvel, e exemplo disto, afirmou, foi o resultado do leilão do 5G. Pensando nisso, a empresa, que sempre se destacou por desenvolver tecnologia DWDM para redes fixas, associou-se a Airspan Networks  e Tropico para a oferta de soluções Open Ran para o mercado móvel.

Consolidação 

Para Luis Vicente, diretor-geral da DPR, o movimento de consolidação entre os provedores regionais continuará por pelo menos mais três anos, quando, a partir de então, ele acredita que haverá uma nova conformação no mercado. “Nesta feira, este ano, os negócios foram o mote de todas as conversas”, vaticina.

Mas Vicente aponta que, além de os empresários estarem estruturando suas estratégias de negócios – e de permanência no mercado – também foram atrás de melhores condições de ofertas pelos equipamentos de rede. Até por isto, explicou, a DPR lançou uma solução de turn key com Cash Back que  garante a devolução de 10% do valor pago integralmente a partir da primeira ativação da rede.

A WDC também levou para o evento novas alternativas de financiamento das redes. Segundo o CEO da companhia, Vanderlei Rigatiere, uma das vantagens competitivas para os ISPs será, a partir da agora, a velocidade de construção das redes de fibra. E, pensando nisto, a integradora criou uma modelagem “build to suit”, na qual a prestadora irá se preocupar apenas com a oferta do serviço, enquanto a construção da rede ficará por conta de sua empresa.

Mas, para Rigatiere, um dos riscos atuais do mercado de ISPs é que ocorra uma briga predatória de preços. “A disputa tem que ser pela qualidade”, concluiu.

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