IRM quer transformar a gestão metropolitana do Rio
Projeto fluminense de integração tecnológica metropolitana, liderado pelo Instituto Rio Metrópole (IRM), representa um passo importante para repensar a urbanização e a gestão pública na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Painel do Smart Cities Mundi, evento sobre cidades inteligentes promovido pela Tele.Síntese, hoje, 28, apresentou o projeto fluminense de integração tecnológica metropolitana, liderado pelo Instituto Rio Metrópole (IRM). A iniciativa representa um passo importante para repensar a urbanização e a gestão pública na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que este ano marca os 50 anos da fusão entre o antigo Estado da Guanabara e o Estado do Rio de Janeiro.
Maurício Knoploch, diretor de planejamento e projetos do IRM, detalhou o processo de retomada da governança metropolitana, abandonada por décadas. “A fusão criou desorganização fiscal, explosão da favelização e perda da capacidade de planejamento. Em 2015, começamos uma mudança estrutural com o Estatuto da Metrópole. A partir disso, conseguimos uma nova base legal e institucional para agir.”
A estrutura desenhada hoje é robusta e, segundo Knoploch, funcional: “Temos um plano estratégico de desenvolvimento integrado, com metas claras. Dos 92 municípios do estado, 22 formam a Região Metropolitana, onde estão concentrados 75% da população e da arrecadação estadual.”
A governança metropolitana envolve um conselho consultivo com representantes do Executivo, Legislativo e sociedade civil, além de comitês técnicos em áreas como mobilidade, saneamento e tecnologia, com forte apoio da academia. Um fundo de desenvolvimento exclusivo garante viabilidade financeira, mas só pode ser acessado pelo próprio IRM, com deliberação do conselho.
De acordo com Knoploch, um dos maiores desafios da transformação metropolitana é tornar o conceito de cidade inteligente em ação concreta, especialmente em um cenário de urbanização desordenada e ausência histórica de políticas públicas em áreas periféricas. Para isso, o IRM aposta em um novo modelo de cidade metropolitana que integra mobilidade, sustentabilidade ambiental, novas centralidades, infraestrutura urbana e tecnologia.
Entre os principais projetos em andamento, destacam-se a infovia digital metropolitana; programa de transição energética (estudo amplo em fase final, com foco na matriz energética limpa e eficiente para toda a metrópole); sistema de gestão de desastres; revitalização urbanística e adequação de prédios públicos; e infraestruturas urbanas compartilhadas.
Knoploch também enfatizou a importância da estrutura de governança metropolitana em relação a modelos mais flexíveis, como consórcios: “A grande diferença está na compulsoriedade. Um consórcio é opcional, mas a governança metropolitana é estruturante e obrigatória para os entes que dela participam.”
Essa obrigatoriedade permite ações coordenadas, maior impacto das políticas públicas e otimização de recursos — algo crítico em um território tão complexo como o fluminense.
O executivo foi claro e destacou que “com vontade política, estrutura institucional e planejamento estratégico, é possível transformar um passado de abandono em um futuro de inteligência urbana e inclusão social.”
