IPv6, um caminho sem volta


luciano-martins-cpqd-telesintese fala sobre IPv6

por Luciano Martins*
Anunciado desde 2011, o esgotamento dos endereços IP torna a adoção do IPv6 – a nova versão do Protocolo Internet – um caminho sem volta. O fato é que a versão atual do protocolo (IPv4) não suporta mais o crescimento da internet. E a tendência é o agravamento da situação, diante de fatores como a expansão cada vez mais acelerada do uso da mobilidade e a introdução nesse cenário do conceito de Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), que deverá trazer para a rede um universo de bilhões de “coisas” conectadas.
No Brasil, o tráfego IPv6 ainda é tímido, mas vem crescendo rapidamente – em outubro deste ano, ultrapassou 5% do total de usuários na internet. Segundo a Anatel, dentro de no máximo dois anos, o novo protocolo estará disponível para praticamente todos os usuários brasileiros. Entre os fatores que deverão contribuir para isso, destaca-se o compromisso firmado pelas operadoras de telecomunicações com a Anatel no sentido de iniciar, em julho deste ano, a oferta de serviços IPv6 nativo nos grandes centros urbanos. Além disso, a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do governo federal anunciou um plano para garantir a migração para o IPv6 de todos os sistemas da administração pública, até 2018.
Sem dúvida alguma, a quantidade quase ilimitada de endereços é o grande benefício do IPv6 – que foi desenvolvido com o objetivo de ser a solução para o problema do esgotamento de endereços na internet. Mas existem outras vantagens propiciadas por esse protocolo, que viabiliza o surgimento de novos serviços na web, mobilidade e segurança nativas, entre outros benefícios.
O IPv6 permitirá a simplificação do projeto de rede, ao promover a conectividade fim a fim, sem a necessidade de conversão de endereço privado para público e vice-versa (NAT – Network Address Translation) – o que beneficia aplicações como videoconferência, Voz sobre IP e peer-to-peer. Além disso, com a quantidade enorme de endereços IP possíveis, assegura o crescimento da internet, permitindo a inclusão, sem preocupação, de dispositivos móveis e “coisas” dentro do conceito de IoT.
E o que é preciso para migrar para o IPv6?
O primeiro passo é o diagnóstico da infraestrutura de TIC da empresa (hardware, software e configurações): será que os elementos já têm capacidade de operar com o protocolo IPv6? A partir da análise do cenário, é feita a identificação do escopo da rede que deverá ter o protocolo IPv6 implantado e, ainda, dos elementos de rede a serem atualizados (em termos de hardware e software), bem como se será necessário adquirir novos elementos e sistemas.
Os passos seguintes são a realização do plano de endereçamento, a adequação da infraestrutura de rede e a configuração de endereços, do roteamento e de protocolos específicos. Também é fundamental a configuração dos serviços de DNS (Domain Name System, ou Sistema de Nomes de Domínios), dos firewalls existentes e, finalmente, das aplicações.
Outra atividade essencial para o sucesso da migração são os testes em elementos de rede e aplicações, para validar o suporte ao IPv6 e confirmar se a migração para esse novo protocolo ocorreu com sucesso.
Para que todos esses passos sejam devidamente cumpridos, é fundamental que seja feito o planejamento da migração, que deve seguir um plano detalhado (com as diretrizes e o roadmap) definido de acordo com as estratégias da organização e a disponibilidade de recursos para adequação da infraestrutura.
De modo geral, o investimento para adequar a infraestrutura de TIC ao IPv6 não é alto – e deve seguir o próprio planejamento de atualização da infraestrutura, que ocorre periodicamente nas empresas. Para as organizações que hospedam seus ambientes em infraestrutura de terceiros, é bem provável que grande parte do trabalho já tenha sido feito – o que não diminui a importância de validar a conformidade com o novo protocolo.
Para as demais empresas, a recomendação é iniciar desde já o planejamento da migração para IPv6, não só para usufruir as vantagens desse novo protocolo mas, também, para reduzir riscos e até o próprio investimento. Assim, ao comprar um novo equipamento (roteador, firewall, servidor ou mesmo terminal de usuário) para substituir uma tecnologia obsoleta, é importante observar se ele oferece suporte ao IPv6 – e reforçar a necessidade desse suporte em qualquer nova aquisição. Com o parque de equipamentos atualizado, o investimento na migração será menor.
A realidade é que, mais cedo ou mais tarde, todas as organizações terão que se adequar ao novo protocolo da internet. O adiamento poderá obrigar a um ritmo muito mais rápido de investimentos, para realizar os ajustes necessários na infraestrutura. E, o que é pior, poderá gerar impactos negativos para a operação do negócio, causados pela perda de comunicação ou de aplicações inoperantes, por exemplo.
*Luciano Martins é consultor em Telecomunicações da Diretoria de Redes Convergentes do CPqD, com experiência em Redes e Protocolo IPv6 desde 2001.
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