IoT precisa de novo impulso via políticas públicas

Os números de expansão desse segmento no Brasil estão abaixo dos vistos no mundo. Governo aponta financiamentos à inovação e incentivos como saída.
Eficácia das políticas públicas de IoT em xeque
Eficácia das políticas públicas de IoT em xeque

As políticas públicas para o mercado de IoT enfrentaram vários revezes nos últimos anos e agora a eficácia das medidas adotadas precisa ser reavaliada. Os números de expansão do segmento não são tão positivos quanto se esperava, mas, para o futuro, IoT deverá ser uma parte importante de políticas transversais.

Essa foi uma visão geral do segundo debate do evento IoT e as Redes Privativas, promovido pela Momento Editorial.

André Martins, CEO da operadora de IoT NLT, se encarregou de colocar o dedo na ferida. Na sua avaliação, é preciso encarar o fato de que as políticas públicas voltadas a esse mercado não avançaram como desejado, o que resultou no fato de o Brasil hoje ter uma adoção da internet das coisas abaixo da média global.

“No mundo temos 2,7 bilhões de dispositivos IoT conectados a redes móveis para 8,4 bilhões de pessoas com celular enquanto no Brasil temos 39 milhões desses dispositivos para 213 milhões de linhas. Temos uma média de 18%, enquanto globalmente ela é 32%. No ano passado, nosso crescimento de dispositivos IoT conectados foi de 11,4%; mundialmente, foi de 26,8%”, observou o executivo.

Ele assegura que o ICMS anual gerado com o IoT está na faixa de R$ 300 milhões. Pouco em termos de arrecadação para o governo, mas essencial na precificação do produto. E ainda ressalta que a conectividade se tornou um agressor no mercado de aplicações, levando muitas empresas, principalmente utilities, a preferirem instalar redes LoraWan ou LPWA para fugirem dos preços cobrados na oferta de conexão móvel.

Concordando em parte com as observações do executivo, Guilherme Correa,  Coordenador-Geral de Tecnologias Digitais na Secretaria de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital (SETAD) do MCTI faz uma analogia sobre o mercado IoT o comparando a um “cachorro sem dono” pois não tem um órgão específico voltado para essa área. “É um Lego, tem hardware, software, firmware, diversos tipos de conectividade, cloud, Big Data, analytics, inteligência artificial e muito mais”, observou. Isso sem contar a diversidade de aplicações que dizem respeito a quase todos os setores econômicos.

Carlos Azen, Gerente de TI, Telecom e Economia Criativa do BNDES, disse que um dos pilotos selecionados pelo BNDES como parte do desenvolvimento do Plano Nacional de IoT está encerrado. Trata-se de projeto na área rural que contou com a participação do grupo Algar e outro deles, na área de saúde, está em fase final.

Mas é inegável o atraso desses projetos. No final de 2016, o governo anunciou que faria um estudo em parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia para apoiar o diagnóstico desse mercado e propor um plano de ação para o país em IoT. O estudo foi finalizado em 2018 e no mesmo ano foram abertas as inscrições de pilotos que seriam selecionados pela entidade. Foram pré-selecionados 13 projetos distribuídos em área rural, saúde e cidades inteligentes.

Novas linhas

Azen lembra que a pandemia teve impacto nos pilotos, principalmente os da área de saúde. “Ao mesmo tempo que foi muito difícil a tomada de informações nesse período, as vantagens da IoT também foram importantes, como, por exemplo, o controle de oxigênio em hospitais” , salientou.

Em sua retomada para estabelecer políticas mais concretas e focadas, o BNDES acredita que a área de IoT, onde estão muitas empresas de pequeno porte e startups, poderá se beneficiar das novas linhas de financiamento e estratégia de apoio do banco. Inclusive com os projetos tendo o uso de IoT como uma de suas demandas. Para a linha de startups já foi feito o chamamento público e sete empresas, via o fundo Indicator, foram classificadas somando recursos de cerca de R$ 80 milhões. Mas ainda há muito gás para alimentar o projeto que soma um orçamento de R$ 300 milhões.

Nessa mesma estratégia de beneficiar a inovação de IoT a partir das startups, o banco vai abrir uma linha de crédito para financiamento do capital de risco, já o segmento exige investimentos constantes.

PADIS

Correa, do MCTI, também lembra de outras medidas que acabam beneficiando o mercado de IoT. Entre elas, a Lei de Informática, que concede incentivos fiscais para o desenvolvimento em P&D, que trouxe um aumento no volume de projetos adicionados e que atingiu R$ 2,4 bilhões, e o PADIS, programa de apoio ao desenvolvimento tecnológico da indústria de semicondutores. “Há um forte impacto em IoT”, analisou.

Sidney Azeredo Nince, Superintendente de Outorga e Recursos à Prestação substituto da Anatel, considera que a IoT tem enorme potencial, mas a demanda nem sempre tem conhecimento dos benefícios que poderia obter com essa tecnologia.

“Um pouco dos objetivos não alcançados se deve a uma falta de conscientização e conhecimento dessas alternativas. Por isso, temos uma área no site da Anatel dedicada a IoT e redes privativas com todas as informações necessárias para atuar nesses mercados”, pontuou.

Ele também ressaltou que a Anatel é responsável pelo regramento, como a oferta de espectro para redes privativas. “Não interessa a tecnologia, mas a forma de permitir que haja ambiente para o desenvolvimento de diversas aplicações com reflexo no aumento da produtividade dos setores econômicos”, disse.

As redes privativas também chamam a atenção do mercado. “Nosso esforço é dedicado ao desenvolvimento de soluções para dar vida a conexões de alta capacidade para empresas de todos os portes”, completou Rafael Terranova, Especialista de Marketing de Produto da Padtec. A empresa vem buscando novas verticais para estender sua atuação no mercado de redes 5G, inclusive turn key, e tem como parceiros a Trópico e Airspan.

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Wanise Ferreira

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