Com Iot, análises clínicas ganham agilidade e redução de custos


041-encontro-telesintese-50-momento-editorial-photo-robson-regatoCom  Áurea Lopes

Escolhida como uma das quatro áreas prioritárias do Plano Nacional de Internet das Coisas, em fase de conclusão pelo governo, a área da saúde tem muito a ganhar com a adoção das tecnologias envolvidas no conceito de IoT. Um exemplo disso é a experiência ainda muito recente, de apenas três meses de mercado, da HiTechnologies, que lançou um kit para exames laboratoriais para clínicas populares, postos de saúde e consultórios médicos através do qual se obtém resultados em dez minutos para um conjunto de exames focados na prevenção da mortalidade infantil, da mortalidade materna e de doenças transmissíveis e crônicas.

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Marcus Figueredo – CEO e fundador da Hi Technologies.

Criada no início dos anos 2000 para desenvolver software para monitorar pacientes a distâncias e, depois, para desenvolver uma série de equipamentos médicos de monitoramento, a HiTechnologies decidiu, há três, ativar seu sistema de inovação. Inspirada pelo filme ‘Jornada nas Estrelas’, segundo o relato de seu CEO, Marcus Figueredo, ela partiu em busca de seu tricorder, como ferramenta do médico e não do paciente. Para isso, foi buscar a parceria da Positivo, que se transformou em sócia da empresa.

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E o tricoder inventado é o Hilab, uma solução que soma uma cápsula onde é feita a coleta do material do paciente — sangue, urina, fezes etc. — e um dispositivo que faz a leitura e a transmissão dos dados para um laboratório central. A cápsula está equipada com um reagente adequado aos exames solitados pelo médico e com um chip que processa das informações; isso feito, é colocada no dispositivo, que por sua vez conta com um chip celular, que receber e transmite as informações ao laboratório central, onde especialistas humanos (e não humanos, algoritmos), analisam os dados e devolvem os resultados, validados e assinados, via celular, para o médico e para o paciente. Tudo em no máximo dez minutos.

Segundo Figueredo, engenheiro de computação com mestrado em inteligência artificial, o grande problema na área de exames clínicos no Brasil é a demora entre a realização do exame e o resultado. “A demora é pesa muito mais do que a qualidade”, diz ele. A solução do Hilab resolva essa barreira. E derruba os custos já que a logística representa 40% dos custos dos exames laboratoriais, segundo dados apresentados por Figueredo. Ele também mostrou benchmark de entidade nacional do setor indicando que os resultados dos exames feitos pelo Hilab estão no mesmo nível de qualidade dos grandes laboratórios privados brasileiros.

Se o sistema avançar como ele espera, vai ser um ganho enorme para o sistema nacional de saúde em termos de agilidade e queda nos preços dos exames laboratoriais. No caso do exame de Chikungunya, o preço do HiLab chegou a ser 1/10 de um dos laboratórios comparados. Em relação ao exame de perfil lipídeo completo variou de 50% a 25%.

No hospital

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Ricardo Santoro – Diretor executivo de TI no Hospital Israelita Albert Einstein.

No Hospital Albert Einstein, diversos procedimentos já se apoiam em soluções que envolvem a comunicação entre dispositivos. O CIO Ricardo Santoro explicou, durante o 50º Encontro Tele.Síntese, que a transformação digital na área de saúde é apoiada por três elementos: o registro eletrônico de saúde, o Big Data e o Patient-Generated Health Data (PGHD), que são os dados gerados pelos pacientes.

O sistema do prontuário eletrônico do Einstein levou três anos para ser desenvolvido, a um custo de R$ 170 milhões. Variados monitores e terminais (de UTI, centro cirúrgico etc.), os laboratórios, o banco de sangue e a farmácia enviam informações diretamente da origem dos dados para um data lake, que dá suporte às tomadas de decisões – não apenas gerenciais, mas clínicas. Por exemplo: o estoque de medicamentos de alto custo é monitorado por um sistema que registra a quantidade de medicamentos disponíveis, quanto foi prescrito, para qual paciente e por qual médico, em que dia e horário, entre outras informações. Esses dados de prescrição de medicação vão para o prontuário eletrônico do paciente que recebe. As informações servem não apenas para controlar o estoque, mas, também, para subsidiar os médicos nas avaliações e condutas.

Ao concentrar em um banco inteligente dados de exames clínicos, imagens radiológicas, receituário, entre outros dados, diz Santoro, é possível gerar modelos preditivos. Na prática, isso significa, por exemplo, que, com as informações processadas no prontuário eletrônico de uma pessoa internada na UTI, pode-se saber qual a probabilidade desse paciente ser liberado para um quarto (otimização de alocação de quartos), qual a unidade ele teria um atendimento mais adequado para que seu tratamento tivesse os melhores prognósticos, em termo de restabelecimento e menor tempo de internação (otimização de consumo de recursos hospitalares).

Ainda é cedo, pondera Santoro, para medir os resultados do projeto, implantado em janeiro deste ano. Mas ele ressalta que alguns impactos não eram previstos, como a redução do tempo de internação. “Certamente a redução dos custos vai muito além do imaginado.”

Os executivos participaram do Encontro Tele.Síntese sobre IoT, realizado hoje em São Paulo pela Momento Editorial.

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