Investimento anjo deve voltar ao patamar de R$ 1 bilhão em 2021


Há, em média, 25 investimentos anjo ao ano, com valores que vão de R$ 500 mil a R$1,5 milhão. A expectativa é de que haja uma retomada aos patamares de 2019, quando foi apurado um investimento total de R$ 1 bilhão. No ano passado, caíram devido à pandemia.

Em 2021, o investimento anjo deve voltar ao patamar de R$ 1 bilhão registrado em 2019, após a queda dos investimentos em 2020, devido à pandemia. A estimativa é de Cassio Spina, fundador e presidente da Anjos do Brasil, entidade que reúne 500 investidores. Entre as iniciativas da entidade para fomentar o investimento anjo estão a de capacitação, com a disseminação de conhecimento e criação de cultura;  a criação de uma rede que aproxime o investidor das startups; e fomento a políticas públicas.

“O ano de 2020 criou uma lacuna, entre março e junho, mas, em média, entre os associados da Anjos do Brasil, há 25 investimentos ao ano, com valores que vão de R$ 500 mil a R$1,5 milhão. A nossa expectativa é de que haja uma retomada pelo menos aos patamares de nossa última pesquisa, relativa a 2019 quando apuramos um investimento total do mercado de R$ 1 bilhão” diz Spina. Ele ressalta que os fundos de investimento já têm recursos captado e precisam investir de todo jeito. O investidor anjo lida com recursos próprios.

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Cássio Spina, presidente a Anjos do Brasil

“Em um primeiro momento, em 2020, houve aquele pânico inicial com a queda das bolsas. Depois os mercados reagiram e os investidores voltaram a aplicar. Nossa expectativa é de que em 2021 se recupere o que foi perdido em 2020. O que falta é uma política de estímulo ao investimento em startups. O Brasil investe 1% do que é investido nos EUA”, diz Spina.

Ele explica que o conceito de investimento anjo não é novo, pode-se dizer que já existe desde os aos 1990,e cita como exemplo a Bematech. Mas o investimento anjo passou a crescer mais a partir de 2010, quando as startups também começaram a se desenvolver e houve a evolução do perfil de empreendedores de necessidade para os de oportunidade.

Outro fator que impulsionou o crescimento foi o surgimento dos cases internacionais e até mesmo nacionais como a venda do Buscapé para o Grupo Napster por US$ 342 milhões, numa época em que nem existia o conceito de unicórnio. Foi a época em que as big techs começaram a prosperar, o uso do smartphone passou a se desenvolver, e a internet de banda larga a se disseminar.

“O grande problema da primeira onda da internet nos anos 1990 que resultou no “estouro da bolha”, é que não havia infraestrutura nem mercado. Pouca gente tinha acesso à internet de qualidade. As empresas que sobreviveram ao estouro a bolha passaram a crescer de forma sustentável. Em 2010, o Brasil  também estava em evidência, inclusive com atração de investidores”, diz Spina.

Ele não considera que o amadurecimento do mercado de investimentos, com a chegada dos grandes fundos, limite a atuação do investidor anjo. Ele diz que metade dos investidores anjo são empreendedores, o restante é de executivos e profissionais liberais. A idade média é de 44 anos, pois são profissionais com uma certa experiência, já que não vale apenas o capital mas também o valor agregado.

“De forma nenhuma o crescimento da indústria de fundos atrapalha o investimento anjo. São elos de uma cadeia e complementares. É importante que venham fundos cada vez maiores porque viabiliza o crescimento das startup. E a mesma coisa é o contrário: o investimento anjo é importante porque os grandes fundos não vão fazer um cheque pequeno para o início da operação das startups. É uma relação muito simbiótica e complementar”, explica Spina.

 

 

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