Intelsat prepara teleporto no Brasil e produto para OTTs em aviões


Imagem do centro de operações da Intelsat no Brasil. Em breve, outra estrutura da empresa estará de pé no país: um teleporto na região do Rio de Janeiro.

A operadora de satélites Intelsat se prepara para ampliar sua presença no Brasil e na América Latina com a inauguração de um teleporto no Rio de Janeiro em seis a 12 meses. Será o nono teleporto da empresa no mundo. O investimento, de valor não revelado, se deve à perspectiva de aumento da demanda das operadoras móveis do país por tecnologia de backhaul satelital, para levar 4G e 5G a áreas remotas.

Ricardo La Guardia, vice-presidente de vendas da empresa para a América Latina, contou ao Tele.Síntese que a Intelsat já está em negociação com “todas” as grandes operadoras móveis para a ativação de backhaul.

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Fechado mesmo está o contrato com a TIM, para quem a Intelsat fornece a conectividade do projeto Sky Coverage, de conexão de estações 4G em áreas sem infraestrutura terrestre de rede para escoar o tráfego móvel gerado localmente. O projeto é, por enquanto, o maior do tipo no país, prevendo link por satélite a mais de 1 mil estações radiobase de telefonia celular, de Norte a Sul.

La Guardia também prevê aumento da demanda por soluções satelitais de banda larga em razão da chegada da o 5G. O executivo lembra que o edital do leilão realizado pela Anatel em novembro traz obrigações de cobertura populacional, e que certamente as operadoras precisarão de formas alternativas para levar backhaul a áreas ainda sem fibra óptica.

A inauguração de um teleporto por aqui amplia a presença da empresa, que em 2021 ativou um NOC (centro de operação e controle, na sigla em inglês) para prestação de serviço aos clientes locais.

“Nossa solução 5G vai ser híbrida e indiferente para o cliente, que não vai precisar dizer se quer satélite GEO, MEO ou LEO. Nossa tecnologia vai determinar o que é melhor para o momento”, afirma La Guardia. A empresa, no entanto, ainda não lançou nenhum satélite não-geoestacionário.

Além das teles

A Intelsat é uma empresa norte-americana e saiu recentemente de uma recuperação judicial em 2020 que reduziu seu endividamento de US$ 15 bilhões para US$ 7 bilhões. A empresa vai ainda receber US$ 5 bilhões das operadoras móveis dos EUA para entregar a faixa que utiliza em Banda C, redestinada agora ao 5G.

Com isso, explica La Guardia, nasceu uma nova Intelsat, com posição financeira favorável e capaz de realizar aquisições estratégicas. A última foi a compra da Gogo, em 2020, fornecedora de conectividade banda larga para aeronaves, por US$ 400 milhões.

A Gogo já foi incorporada, e seus contratos, inclusive no Brasil, repassados à Intelsat. No mercado de aviação civil, a perspectiva de crescimento é ainda mais evidente, diz o executivo. Atualmente, a empresa conecta 36 milhões de passageiros com internet nos voos da Gol e da Latam, em 135 aviões. Nos próximos anos, mais 70 aeronaves receberão conectividade satelital, e o número de usuários deve saltar para 55 milhões.

A Intelsat, vale lembrar, é a maior operadora de satélites geoestacionários do mundo em telecomunicações, com 52 artefatos em órbita, dos quais oito são utilizados para fornecimento de serviços também no Brasil. Neste ano, a SpaceX vai colocar no espaço mais dois satélites para o grupo, e um vai atender também nossa região.

Oportunidade com OTTs

Thiago Monteiro, executivo da área de Networks da Intelsat, e Marcelo Amoedo, da área de mídia, contam que a empresa também está desenvolvendo formas de atender os grandes geradores globais de tráfego. Segundo Amoedo, a demanda por transmissão de vídeo não se reduziu nos últimos anos, apesar da queda do interesse por TV paga.

Monteiro, por sua vez, observa que serviços OTT de vídeo – como Youtube Premium ou Netflix – podem recorrer aos satélites para alimentar suas CDNs (redes locais de entrega de conteúdo).

A Intelsat aposta no aumento da proximidade com OTTs. Vem desenvolvendo, inclusive, uma solução que permita ao assinantes de serviços de streaming continuar a utilizar os aplicativos de vídeo sem quedas, sem engasgos, e sem ter de preencher cadastros, ao embarcar em um voo. Resultado, claro, da compra da Gogo.

“Hoje existem dois modelos de consumo de vídeo em um avião: por IPTV, em que você acompanha uma programação, ou por VOD, em que você escolhe qual vídeo quer ver. Em ambos os casos o consumidor final tem que entrar na plataforma de mídia oferecida pela companhia aérea. O que estamos criando é uma forma de permitir o uso contínuo do aplicativo sem necessidade de cadastro na plataforma da aeronave. Um tipo de solução que o OTT vai oferecer a seus clientes para se diferenciar”, diz Amoedo.

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