Inmarsat avança em M2M e prepara conexão móvel em banda Ka


A Inmarsat vê grandes oportunidades de avançar em negócios de conexão em terra, especialmente com soluções máquina à máquina (MSM) e em smartphones, com investimentos na Banda-Ka e aplicações. Com essas duas estratégias, tem trabalhado para reforçar sua posição nos BRICs, onde prevê maior crescimento, informa Ruy Pinto, CTO da Inmarsat


TeleSíntese –
Poderia escrever o atual momento da Inmarsat e de suas atividades no Brasil?

Ruy Pinto –A Inmarsat é líder há mais de 30 anos no mercado de serviços móveis de voz e de dados via satélite com cobertura banda larga mundial. Atualmente temos 9 satélites na banda L, com mais um sendo lançado no final de julho, totalmente implantados até o fim do ano. Lançaremos o primeiro satélite da geração I-5 ou Global Xpress, que contará com uma constelação formada por 3 satélites até 2015. Nosso modelo de distribuição é predominantemente indireta por meio de parceiros e fornecedores locais, que nos permitem manter uma presença global de vendas e contar com especialistas locais em comunicações e soluções móveis via satélite.
Atualmente temos no Brasil quatro provedores de serviços: Arycom, sediada em São Paulo; OnixSat, sediada em Londrina; Tesacom, sediada no Rio de Janeiro, e Hughes do Brasil, também em Sao Paulo. Além deles temos também a Carrier Web autorizada a vender nossos produtos e serviços em parceria com a Arycom.

 

TeleSíntese – Com o atual momento de expansão dos serviços de telecomunicações – incluindo satélite – no Brasil, como a Inmarsat pretende se posicionar?

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Pinto A demanda por acesso a serviços de envio e recebimento de dados tem aumentado significantemente no país e não apenas pelo desenvolvimento econômico registrados nos últimos anos, mas principalmente pela saturação dos grandes centros, o que motiva as empresas a expandirem seus negócios para outros mercados. Por meio da tecnologia via satélite, áreas sem cobertura ou com baixa qualidade dos serviços telefônicos móveis passaram a ser interessantes financeiramente. Nesse sentido, o Brasil é um dos mercados ideais para nossos serviços devido sua grande extensão territorial e localidades de difícil acesso.
Além dos 9 satélites em banda L já em funcionamento, estamos investindo cerca de US$ 1,3 bilhão na nova geração de satélites em banda Ka, o Global Xpress, que nos possibilitará atender um novo segmento. Além disso, iremos lançar em julho o Alphasat, com um investimento de US$350 milhões, que aumentara ainda mais a nossa gama de serviços e produtos na banda L.
No Brasil, temos planos, alguns já em andamento, de contratação de pessoas e aumentar o engajamento dos parceiros. Exemplo, no início do ano contratamos o Bernardo Schneiderman como diretor de desenvolvimento de negócios para reforçar nossa presença no setor governamental no Brasil.

TeleSíntese – Quais as principais verticais de atuação da Inmarsat que devem ser reforçadas no país?

 

Pinto – Inmarsat tem uma longa tradição em setores críticos de infraestrutura, tais como governo, petróleo, gás & mineração como, por exemplo, o contrato com a Vale para comunicação em transportes marítimos. No entanto, ano passado, lançamos nosso serviço M2M desenhado para monitoramento remoto e conectividade. Para um país como o Brasil, que sofre com fortes chuvas e precisa de conectividade com sensores para prever e monitorar o fluxo de água, o BGAN M2M é ideal, uma vez que oferece conectividade de dados confiável com hardware robusto e sem sofrer interferência meteorológicas. Além disso, vemos oportunidades no setor bancário, onde BGAN M2M pode ser conectado a um ATM ou ponto de venda, permitindo que os bancos e pequenas empresas possam expandir suas operações em áreas remotas. Visando reforçar nossa atuação nesse nova ninho, passamos a disponibilizar recentemente o geo-pricing para nossa solução M2M para a América Latina, que reduz os custos de comunicação em aproximadamente 40%.

 

TeleSíntese – A empresa ainda não é muito conhecida no Brasil, como pretende mudar esta condição? 

 

Pinto – A marca da Inmarsat é reconhecida pelos clientes e setores-chave, tais como, serviços marítimos, aeronáuticos, petróleo & gás ou demais setores que necessitam de comunicações confiáveis em qualquer parte do território nacional. Nós não pretendemos nos tornar uma marca de consumo e os nossos distribuidores são importantes para a nossa penetração no mercado brasileiro.
Para empresas que dependem da conectividade segura e flexível, a Inmarsat já é uma marca bem conhecida e respeitada. Nos últimos anos, lançamos produtos com um apelo de comunicação mais difundido, como o nosso serviço de voz portátil, IsatPhone Pro – para qual a América Latina representa nosso maior mercado. Claro que, com a Global Express, nos tornaremos ainda mais conhecido no mercado fixo por satélite.
No entanto, é importante notar que no Brasil, a Inmarsat é focada em apoiar os nossos distribuidores locais e na abertura de novos mercado por meio do recrutamento de novos distribuidores para a solução Global Xpress -. Tudo o que fazemos está orientado para o desenvolvimento das capacidades dos nossos distribuidores e reconhecimento de mercado.

 

TeleSíntese – A Inmarsat aposta em levar soluções de satélite para smartphones. Poderia falar um pouco sobre essa linha de atuação? Por que é relevante investir neste segmento?

 

Pinto – Acreditamos que a comunicação via satélite será tão popular no futuro quanto os celulares, mas com finalidades distintas. A Inmarsat já faz parte do processo de transição de uma tecnologia para outra, que incluiu smartphones. Por exemplo, isso já ocorre no mercado de transporte, onde os sistemas de rastreamento de caminhões usam soluções híbridas com redes celulares e o serviço da Inmarsat. Igualmente, uma implantação recente com a Electro, onde as equipes de suporte utilizam serviços de voz via rede celular e a rede da Inmarsat, dependendo da disponibilidade da rede celular.
Certamente reconhecemos o impacto que os smartphones têm em negócios e comunicação pessoal e estamos trabalhando em uma série de melhorias para que nossos serviços façam essa transição de forma transparente para o cliente. Por exemplo, nós estamos analisando uma Smarthub que permite ao usuários de smartphones conectar diretamente ao modem Gban e usar a conexão da Inmarsat quando a rede celular falhar.

 

TeleSíntese – O senhor veio ao Brasil para reuniões com a Anatel. Qual o assunto tratado?

 

Pinto – Vim participar de reuniões com a Anatel para rever e expandir o status de nossas licenças e os serviços que estamos provendo por aqui, além de conversar com a Anatel sobre os serviços/produtos que pretendemos oferecer no mercado brasileiro no futuro.

 

TeleSíntese – O fato da Telebras investir em satélite incomoda a Inmarsat?

 

Pinto – A Inmarsat prove serviços globais, e um satélite brasileiro da Telebras, ou até regional, é uma nova oportunidade para a provisão de serviços da Inmarsat que complementam a capacidade nacional.

 

TeleSíntese – Qual a visão da Inmarsat sobre a oferta de banda larga via satélite na banda Ka? Alguns concorrentes afirmam que essa solução é ideal apenas para áreas de grande concentração de pessoas. A Inmarsat tem uma visão diferente, certo? Poderia falar um pouco mais sobre o potencial da banda larga via satélite no Brasil?

 

Pinto – Satélites de banda larga na banda KA tem como objetivo principal o mercado fixo de conexão via Internet. A Inmarsat vai prover um serviço móvel na banda Ka que não compete diretamente com esses serviços.

 

TeleSíntese – Qual a expectativa de crescimento no Brasil e como a atuação mais forte nos BRICs ajuda a matriz financeiramente?

 

Pinto – A Inmarsat tem um objetivo de crescer no Brasil, com base na nossa presença no país nos últimos trinta anos. O Brasil é tão ou mais importante para a Inmarsat do que os demais membros do BRICs e justifica o nosso investimento no país.

 

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