Indústria eletrônica inconformada com redução do imposto de importação


As fabricantes brasileiras de computadores, celulares, equipamentos de telecomunicações foram surpreendidas pela decisão tomada hoje, 17, pela Câmara de Comércio Exterior do Ministério da Economia (Camex) de reduzir em 10% a alíquota do imposto de importação sobre bens de capital e bens de informática e telecomunicações.

A Abinee, entidade que representa fábricas brasileiras de eletrônicos, emitiu um comunicado severo, no qual afirma que medida será danosa a quem fabrica no país. “A nós, parece uma decisão intempestiva e improvisada que só vai trazer prejuízos e insegurança ao setor”, diz o presidente da Associação, Humberto Barbato na nota.

Ele acrescenta que a decisão causa surpresa uma vez que está agendada reunião com o Ministro Paulo Guedes na próxima sexta-feira, que entre outros temas trataria da abertura comercial e envolveria diversos segmentos industriais.

Na visão da Abinee, ao tomar a medida agora, o governo escolhe setores, iniciando por BK e TICs, sem reduzir a tarifa dos insumos utilizados por estas empresas, o que trará aumento de custos para a produção local.

A redução ainda será submetida aos países-membros do Mercosul na próxima semana para uma possível extensão a outros setores. Para a associação, caso isso não aconteça, somente os setores de BK e TICs terão a redução do imposto de importação. “A decisão não deveria ser tomada antes da reunião do Mercosul e deve ser transversal a outros setores”, reforça Barbato.

Barbato questiona ainda o argumento do governo de que recentes medidas para aliviar o custo Brasil para se reduzir a assimetria na produção com OCDE propicia o corte das tarifas. “Queríamos conhecer a métrica utilizada”, afirma.

O presidente da Abinee acrescenta que, além disso, os custos, por exemplo, de transporte variam de setor para setor. Da mesma forma, o impacto no custo final do produto também varia de empresa para empresa.

A Abinee volta a reforçar que não é contra a redução das tarifas de importação e abertura comercial, mas que deve ser feita de forma transversal e com previsibilidade. “A cada semana temos que apagar um incêndio”, finaliza.

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