Importações de celulares saltam 111% no primeiro semestre


As importações de celulares mais que dobraram no primeiro semestre de 2011, passando de 2,6 milhões de unidades para 7,3 milhões, representando um custo de US$ 490 milhões sobre a balança comercial do setor eletroeletrônico, que acumula nos seis primeiros meses do ano um saldo negativo de US$ 15,7 bilhões. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a tendência é que as importações continuem crescendo, devido à baixa competitividade da indústria brasileira e o baixo preço do produto estrangeiro. Enquanto isso, as exportações de aparelhos recuaram 48%, de US$ 535 milhões para US$ 275 milhões.

Segundo o gerente econômico da Abinee, Luiz Cezar Elias Rochel, as dificuldades dos exportadores de celular vão além da valorização do real frente ao dólar. Para ele, o ‘boom’ na importação de celulares se deve aos ‘webphones’ – produto intermediário entre um celular comum e um smartphone – que chegam ao país da Ásia, principalmente da China, a um preço médio de R$ 15, “muito abaixo do custo de produção” no Brasil. “Os fornecedores de componentes já vêm registrando cortes nas encomendas de fabricantes”, afirmou.

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Já o presidente da associação, Humberto Barbato, lembra ainda que a indústria nacional sofre de uma baixa competitividade frente ao produto estrangeiro devido a uma série de fatores estruturais além da questão cambial, como impostos, o preço da energia no país e a falta de infraestrutura portuária. Além disso, afirmou, o Brasil recentemente perdeu alguns de seus principais mercados importadores, uma vez que Argentina e Venezuela passaram a incentivar a nacionalização da produção de aparelhos móveis.

“A América Latina é o continente que mais cresce no mundo e não estamos conseguindo colocar nosso produto no nosso quintal”, afirmou o executivo. Para ele, a falta de iniciativa do governo em impulsionar a indústria local está gerando um “câncer de desindustrialização” no país.

Barbato afirma que a Abinee vem pressionando o governo para criar novos incentivos para a indústria nacional na área de eletroeletrônica. Segundo ele, deve sair em breve uma ampliação do programa de desoneração das folhas de pagamento do Plano Brasil Maior para o setor de microeletrônica, e ele espera que o Congresso aprove uma política de incentivos para a produção nacional de smartphones e notebooks nos moldes da recém-aprovada MP 534, referente à indústria de tablets.

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