Huawei defende mudança de foco das operadoras para competir com OTTs


Eric Xu, CEO rotativo Huawei (foto: divulgação)
Eric Xu, CEO rotativo Huawei (foto: divulgação)

Shenzhen – A chinesa Huawei já prepara a atualização completa de seu portfólio para quando as redes definidas por software, totalmente ópticas e com funções virtualizadas, forem uma realidade em todo o mundo. 

A intenção é antecipar a demanda pelo que a empresa chama de “cloudification”, algo como a migração em massa de serviços, funções e infraestrutura para a nuvem. “Hoje em dia, com a transformação digital de diferentes indústrias, nós defendemos a completa ‘cloudification’ para a construção de redes eficientes e competitivas”, disse Eric Xu, CEO rotativo da Huawei, durante o Huawei Global Analyst Summit 2016, evento que acontece na cidade de Shenzhen, na China*.
O resultado da “cloudification” seria uma nova arquitetura de rede, na qual o data center passa a ser o centro das operações. Essa migração trará oportunidades na experiência de usuário e permitiria às operadoras oferecerem novos serviços.
Xu justifica a iniciativa com uma percepção obscura sobre o mercado mundial de telecomunicações, abalado pela competição com empresas over-the-top (OTTs), como Google, Amazon, Microsoft e Facebook.
“Os consumidores não estão completamente satisfeitos quanto aos preços e qualidade dos serviços que usam. Os clientes corporativos também não estão satisfeitos com a qualidade, time to market para seus produtos, e preços”, observou.
Ao mesmo tempo, as OTTs não enxergam as teles como parceiras, e as teles também não têm uma percepção boa das OTTs. “Para satisfazer o consumidor, o jeito é abordar o problema de dois jeitos: inovação vinda de fora, por isso Google e Facebook têm iniciativas em satélites, balões, para alcançar uma forma mais eficiente de conectividade; o outro é nós, indústria tradicional de telecomunicações, nos reinventarmos”, resumiu.
O processo começa pela própria Huawei, que quer servir de exemplo para as operadoras. A companhia pretende levar toda a sua rede para a nuvem nos próximos quatros. Até lá, todo o portfólio será formado por soluções e serviços que ajudem as teles a migrar suas funções de rede para a nuvem e a oferecer serviços baseados na nuvem.
A partir daí, as operadoras terão o papel principal na transformação tecnológica mundial. Deverão investir nas áreas em que têm verdadeira vocação e potencial de crescimento, e nas quais as OTT enfrentam mais barreiras. “As operadoras conseguem entregar bem serviços em tempo real de voz, vídeo, dados e nuvem. A operadora deve deixar de focar em redes para o focar em experiência de serviço, o que consiste em ir para a nuvem”, lista.
Ao mesmo tempo, as teles precisam deixar de pensar nos serviços de banda larga móvel definidos por velocidade. “O consumidor percebe apenas a qualidade de acesso dos apps, não compreende a banda por trás deles”, destacou.
A estratégia dos tubos
Para a companhia, até 2020, a oferta de vídeo pela rede das operadoras deve movimentar US$ 1 trilhão ao ano. O de serviços em nuvem, também, terá faturamento anual de US$ 1 trilhão até lá. Para abocanhar sua fatia, desde o ano passado aplica o que chama de “estratégia dos tubos”. A ideia, segundo explica Ryan Ding, diretor do conselho da Huawei, é desenvolver soluções de conectividade mais ágeis, que entreguem mais banda.
A fabricante vai lançar até o final do ano um centro de controle unificado para redes definidas por software, que poderá ser usado tanto por operadoras, como por empresas e data centers. Também apresentará até dezembro um orquestrador de rede capaz de lidar com as novas redes.
De acordo com Ding, a “cloudfication”é um movimento que envolve tecnologias abertas e requer colaboração com outras empresas. Para conseguir convencer diferentes companhias, além das teles, para migrar suas operações para a nuvem, a Huawei vem fechando parcerias. São 10 laboratórios de pesquisa e acordos de desenvolvimento com 600 pareceiros. Vai investir US$ 1 bilhão nos próximos cinco anos em uma plataforma de desenvolvimento online de soluções (eSDK). “Em 2015 tínhamos 50 mil desenvolvedores listados. Em 2020, queremos ter 1 milhão”, diz.
*O jornalista viaja a convite da Huawei
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