Huawei aponta os desafios para operadoras rentabilizarem as redes 5G


O preço dos aparelhos de celular, na opinião de Marcelo Motta, da Huawei, é uma das barreiras para a popularização do 5G.

A Huawei apontou, durante o Painel Telebrasil 2022, os três mais importantes desafios que as operadoras brasileiras terão que enfrentar para rentabilizarem os investimentos realizados na construção das redes 5G. ” As operadoras estão construindo as redes e vão querer usuários para o 5G”, afirmou Marcelo Motta, diretor de Cybersegurança e Proteção de Dados América Latina. Segundo o executivo, os exemplos nos países onde o 5G já foi lançado apontam para as etapas que precisarão ser ultrapassadas também pelas empresas brasileiras antes de seus investimentos na nova tecnologia começarem a ter retorno.

O primeiro deles, disse o executivo, refere-se ao número de usuários que precisam ter acesso à nova tecnologia. ” Tem que ter no mínimo 20% da base de assinantes com 5G”, assinala Motta. Segundo ele, nos países onde a aceitação do 5G foi mais rápida, a consolidação dessa base de assinantes ocorreu entre 18 a 24 meses. Um período bastante rápido, que ele considera  difícil de ser atingido aqui no Brasil, tendo em vista o preço dos aparelhos de celular 5G, aliado à crise econômica.

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” Atualmente, apenas 45% dos aparelhos 5G custam menos do que 450 dólares no mundo. Um celular que custa 150 dólares na China, chega no Brasil por 300 dólares. O que significa que será vendido por mil e quinhentos reais. Nesse cenário de crise econômica, quantos  usuários poderão comprar o celular 5G aqui?”, indagou. Ele assinalou que os terminais mais caros, como os da Apple, por exemplo, que oferecem o acesso ao 5G puro, são comercializados no Brasil a partir de R$ 1o mil.

Motta acha que essa é uma questão que demandará debates para o estabelecimento de novas políticas públicas, sejam no estímulo à fabricação local de aparelhos, sejam no estímulo à importação mais barata.

Outros desafios

O segundo estágio a ser alcançado pelas operadoras para a rentabilização de seus investimentos refere-se ao tráfego de dados gerados a partir desta tecnologia. ” Pelo menos 30% do tráfego total  da operadora deve vir do 5G”, afirmou. Segundo ele, essa meta já está sendo atingida pela  maioria das operadoras que lançaram o 5G  nos últimos anos no globo.

Por fim, no entender de Huawei, entre os desafios, o mais difícil para as operadoras será o de gerar pelo menos 50% das receitas originadas a partir da tecnologia 5G. ” Essa meta só deverá ser atingida pelas operadoras da Coreia do Sul este ano, as primeiras a lançar o 5G, em 2019″, assinalou.

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