Histórico dos clientes de telecom será incluído no Cadastro Positivo


As operadoras de telecomunicações vão repassar, a partir de setembro, dados sobre o histórico de pagamentos dos usuários aos birôs de créditos. Os dados serão usados no Cadastro Positivo, em que é calculado o “score” do cliente, uma nota atribuída ao consumidor conforme sua relação com as empresas, para classificá-lo como um bom pagador.

A adesão do setor se dá por meio de uma memorando de entendimento assinado hoje, 17, entre o presidente executivo do SindiTelebrasil, Marcos Ferrari, representando as operadoras, e o presidente da Associação Nacional do Bureaus de Crédito (ANBC), Elias Sfeir.

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Segundo as empresas, o Cadastro Positivo “facilita a obtenção de crédito mais justo e com menos burocracia para quem tiver costume de pagar as contas regularmente”. As operadoras serão as primeiras, após as instituições financeiras, a compartilhar essas informações com os birôs de crédito operadores do Cadastro Positivo (Boa Vista, Quod, Serasa e SPC).

A expectativa é que o processo tenha início no final de setembro. Com a entrada do segmento de telecom no banco de dados, brasileiros que não têm conta bancária, mas têm planos pré-pagos, por exemplo, passam a ser acompanhados pelo sistema de crédito.

“A capilaridade do setor de telecom, presente em todas as camadas da sociedade, nos permite contribuir com essa iniciativa para facilitar a vida dos brasileiros, especialmente daqueles que têm histórico de bom pagador”, afirmou Ferrari. O setor de telecom tem hoje 225,3 milhões de acessos apenas no celular, incluindo clientes pré-pagos e pós-pagos.

“A nota de crédito, calculada pelo birô com base nos dados enviados pelas fontes, é resultado de uma análise dos hábitos de pagamento e do relacionamento de empresas e consumidores com o mercado. Quanto mais informações chegarem ao banco de dados do Cadastro Positivo, mais benefícios para os credores, os tomadores de crédito, a economia e o bem-estar social”, observou Sfeir, presidente ANBC.

“É muito difícil encontrar um mercado de crédito que funcione a contento sem um histórico de informação sobre os tomadores de crédito compartilhado com todos os potenciais credores. O Cadastro Positivo traz compartilhamento seguro da informação, o que, pela experiência internacional, fará as taxas de juros caírem”, avaliou o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central (BC), João Manoel Pinho de Mello.

“O compartilhamento dessas informações irá ajudar aquelas pessoas que não têm acesso ao crédito. Milhares de pessoas no Brasil ainda não estão bancarizadas, mas pagam suas contas de telefone em dia. Essas informações, ao serem incluídas nos cadastros, ajudam a diminuição da assimetria de informações e permitem a universalização da concessão de crédito de forma equilibrada e de qualidade”, comentou o diretor de Regulação do Banco Central, Otávio Damaso.

Segundo o SindiTelebrasil, o processo de envio dos dados aos birôs de crédito foi desenhado para garantir a segurança do processo, em todas suas etapas, assim como a correta interpretação das informações, beneficiando os consumidores que agora poderão contar com esses dados em seus históricos do Cadastro Positivo. A estimativa é que em até 90 dias essas novas informações estejam disponíveis no Cadastro Positivo.

O sindicato explica que a adesão ao Cadastro Positivo se dá em cumprimento à Lei 12.414/11, alterada pela lei complementar 166/2019, que criou o cadastro positivo e que determina às empresas o envio do de informações do histórico de pagamento de seus clientes, especificadas na regulamentação. A lei determina que as pessoas, após o entrarem no cadastro positivo, devem ser informadas da inclusão e possuem a opção de solicitar sua exclusão a qualquer momento aos birôs de crédito. Os birôs, por sua vez, informam às operadoras periodicamente a lista atualizada dos clientes que solicitaram a exclusão e que não terão suas informações enviadas e utilizadas no cadastro. (Com assessoria de imprensa)

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