Governo e radiodifusores divergem sobre interferência entre TV digital e banda larga 4G


A preocupação com interferências entre os serviços de TV digital e banda larga móvel 4G dominaram os debates sobre a licitação da faixa de 700 MHz, em audiência pública realizada nesta terça-feira (29), na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. De acordo com os representantes dos radiodifusores, estão sendo encurtadas etapas que podem comprometer a instalação dos dois serviços. Já os senadores, esperam que a busca por uma solução para essas questões seja de forma mais transparente possível, mas concordam que o leilão deve mesmo ocorrer este ano.

A diretora de tecnologia da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), Ana Eliza Faria, a utilização de simples filtros, como imagina a Anatel, não resolverá todos os problemas de convivência entre os serviços. Ela também se queixou da proposta de regulamento de mitigação, concluído pela agência antes mesmo da conclusão do relatório dos testes. Para Ana Eliza, além de filtros, a Anatel deve levar em conta a necessidade de fazer uma campanha pública, que seja capaz de alterar hábitos da população brasileira, como o de uso de antena interna, que serão as mais suscetíveis à interferência. “Pesquisa do Ibope ainda inédita aponta que 25% dos usuários de TV aberta usam esse tipo de recepção”, ressaltou.

Para André Felipe Trindade, engenheiro da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel), afirma que serão necessárias outras medidas para assegurar a convivência dos serviços que vão além dos filtros, como a necessidade de alteração da posição da antena ou troca da antena de TV. “Como será feito isso”, questiona o engenheiro. Ele ressaltou que a interferência deve atingir também a recepção de TV fechada por DTH e até via cabo. Sem falar na impossibilidade que o usuário terá de ver TV e navegar pelo celular ao mesmo tempo, um hábito cada vez mais adotado, se os dois serviços estiverem usando a mesma faixa.

PUBLICIDADE

Para o chefe do Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército, general Antonino Guerra, a destinação de 10 MHz de espaço para os serviços de segurança, previsto no modelo de leilão apresentado pela Anatel, é metade do esperado, mas será suficiente para que seja usado pelos órgãos públicos, em sistema de condomínio, ou seja, de compartilhamento de infraestrutura. “Se houvesse os investimentos necessários nessa área, aí a banda seria insuficiente”, reconheceu.

O secretário de Telecomunicações, do Ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão, disse que a licitação, além de aumentar a oferta de banda larga móvel de alta velocidade, servirá para apoiar a indústria nacional. Ele afirmou que o novo leilão deve exigir os mesmos percentuais de equipamentos nacionais que os estabelecidos na licitação de 2,5 GHz.

Já a secretária de Serviços de Comunicação Eletrônica, Patrícia Brito, disse que está aguardando apenas o resultado final do replanejamento de canais para elaborar o cronograma de desligamento escalonado da TV analógica. Segundo ela, esse roteiro terá que ser concluído até julho, antes portanto da licitação, que está prevista para agosto.

 

Anterior 4G da Vivo é ativado em mais 11 municípios
Próximos Apesar de vendas menores, Nokia registra lucratividade maior em redes