Google vai construir novo cabo submarino ligando Argentina, Brasil e EUA


Cabo Firmina entrará em operação em 2023. Objetivo da empresa com a infraestrutura é reduzir ainda mais o tempo de resposta de seus serviços oferecidos na América do Sul. Conexão é a mais longa a usar fonte de energia em apenas uma das pontas.

O Google anunciou nesta quarta-feira, 9, que vai construir mais um cabo submarino de alta capacidade para interconecta Argentina, Brasil e Estados Unidos. Ele entrará em operação em 2023, e será a aberto a outros interessados. A empresa não revela o tamanho do investimento. A empresa SubCom foi escolhida para produzir e instalar o sistema de cabos.

Com uma nova conexão direta Norte-Sul do continente, a empresa pretende baixar mais a latência (tempo de resposta) de seus serviços na região.

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O cabo foi batizado de Firmina, em homenagem a Maria Firmina dos Reis (1825 – 1917), uma abolicionista e escritora brasileira cujo único romance, Úrsula, fala sobre a vida dos brasileiros negros durante a escravidão. Negra e intelectual, Firmina é considerada a primeira romancista do Brasil.

“Com o Firmina, já investimos em 16 cabos submarinos, tais como Dunant, Equiano e Grace Hopper, além de cabos em sistema de consórcio, como Echo, JGA, INDIGO e Havfrue”, explica Bikash Koley, vice-presidente de Global Networking do Google Cloud, no blog da empresa.

Conectando o Brasil, o Google já utiliza três cabos: o Júnior, que liga São Paulo a Rio de Janeiro; o Tannat, entre Brasil, Uruguai e Argentina; e o Monet, com rota similar ao Firmina e que liga o Brasil aos EUA.

O cabo Firmina parte da costa Leste dos EUA, passa por estações de pouso em Praia Grande, no Brasil, e Punta del Este, no Uruguai, até chegar ao seu final, na praia de Las Toninas, próxima a Buenos Aires, na Argentina. A estrutura terá 12 pares de fibra óptica.

“Conforme as pessoas e empresas passam a depender de serviços digitais para diversos aspectos de suas vidas, o Firmina vai aprimorar o acesso aos serviços do Google para usuários na América do Sul”, acrescenta o executivo.

Tecnologia

O cabo também traz inovações. Será capaz de funcionar com uma única fonte de energia em uma das pontas. Em cabos normais, o sinal de luz enviado através da fibra é amplificado a cada 100 quilômetros por meio de uma fonte de energia de alta voltagem instalada nas estações onde o cabo chega em cada país. Cabos mais curtos aproveitam a energia disponível a partir de uma única ponta.

“Contudo isso é mais difícil de fazer em cabos mais longos, com pares de fibra mais largos. O cabo Firmina quebra essa barreira: ao conectar a América do Norte e do Sul, ele será o mais longo da história a incluir a capacidade de funcionar com uma fonte de energia em uma de suas pontas. Conquistar esse design altamente resiliente, que representa a quebra de um recorde, foi possível ao fornecer uma voltagem 20% maior para este cabo do que a utilizada em sistemas anteriores”, afirma Koley.

A rede global de cabos submarinos utilizados pelo Google – ainda sem o Firmina, que entra em operação em 2023 (Reprodução)
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