Google quer ser visto como parceiro pelas teles


O Google busca se aproximar mais das operadoras de telecomunicações do Brasil. O desejo é se tornar fundamental para que as empresas compreendam, e respondam com mais rapidez, ao processo de digitalização em todos os âmbitos dos negócios.

“Queremos posicionar o Google como parceiro nessa transformação”, afirma Fabio Coelho, diretor-geral do Google no país. Em evento dedicado ao setor de telecomunicações realizado hoje, 29, em São Paulo, a gigante digital traçou o que considera as principais tendências para o mundo das telecomunicações: digitalização, eficiência e experiência do usuário.

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Destacou que o setor ainda precisa migrar para o universo digital e móvel, repensando processos internamente, em todos os níveis. As perspectivas que têm do consumidor também deve mudar. A tônica do encontro, chamado Think Telecom, foi convencer as operadoras a não vender telecomunicações ou acesso aos usuários, mas tornar mais humana a forma como entrega os serviços, ao mesmo tempo em que usa a tecnologia para ampliar a eficiência. Na plateia, executivos responsáveis pelo marketing das empresas e representantes de grupos publicitários.

Segundo Coelho, o Google já conversa com todas as operadoras no país para estreitar laços e promover parcerias. “Estamos estudando formas de usar as tecnologias, trabalhando com uma ou mais telcos ao mesmo tempo, gerando soluções que possam ampliar a cobertura e a qualidade”, diz.

O que o Google, sendo uma over-the-top (OTT), quer é perder a pecha de ameaça ao mercado tradicional de telecomunicações. Para isso, vem tentando mostrar o valor que pode agregar para as teles, impactando inclusive a racionalização dos investimentos. “Quando você começa uma conversa, nunca sabe qual será a reação do parceiro de negócios, por um possível medo de estarmos entrando numa área que é dele. Mas, se a gente tiver uma solução para usar a tecnologia para reduzir Capex, melhorar qualidade de rede, melhorar cobertura em áreas compartilhadas, havendo tecnologia disruptiva, as telcos reagem muito bem”, comenta o executivo.

As principais áreas em que o Google quer trabalhar com as operadoras são na digitalização em todos os canais, gestão de big data e inovação em infraestrutura. Coelho evita aprofundar quais soluções estariam em pauta, mas descarta a criação, no Brasil, de iniciativas como uma MVNO ou provedora de acesso a internet em banda ultra larga.

Para ele, o caminho para a teles será a segmentação. “A quantidade de pessoas com acesso a telefonia móvel de qualidade é muito baixa. Eu olho o copo meio cheio: é uma oportunidade pois temos um serviço de massa e caro, ainda não segmentado. No momento que começar a segmentar e gerar relevância, inclusive dentro do modelo onde há equilíbrio com as OTTs, a telco, que já tem um papel fundamental na nossa sociedade, na economia, e no processo de empoderamento do usuário conectado, vai continuar assim por muito tempo”, analisa.

Coelho também reafirmou o emprenho da companhia em crescer no Brasil. Recentemente, o Google criou, no Rio de Janeiro, um estúdio, chamado Youtube Space, voltado para criadores de conteúdos em vídeo. No começo de 2016, será aberto, em São Paulo, um campo de empreendedorismo em São Paulo. O executivo não abre, porém, qual o tamanho do investimento no país para este e os próximos anos.

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