Galante: Abrindo a RAN


Por Leandro Galante*

O aumento na demanda de dados móveis, impulsionada pelas redes sociais, streaming de vídeo, jogos online e conectividade de dispositivos ou “coisas”, a rede (IoT) e o 5G vêm trazendo novos desafios às operadoras para entregar serviços em escala, considerando não somente a demanda de voz e bandas maiores, mas também novos serviços sensíveis à latência e com alta densidade de dispositivos conectados. Adicionalmente, as operadoras precisam manter o controle dos investimentos em equipamentos e operação da rede, sendo a estrutura de acesso móvel (RAN) um dos principais pontos.

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O mercado mundial de redes de acesso móvel (RAN) recebeu investimentos de aproximadamente 35 bilhões de dólares em 2020, segundo levantamento do grupo SDxCentral sendo responsável por grande parte dos investimentos das operadoras.

Para entendermos melhor a necessidade de abertura da RAN, precisamos primeiro investigar como as redes de acesso móvel são arquitetadas no modelo “tradicional” ou monolítico. Neste modelo toda a rede de acesso móvel (RAN) é provida por apenas um fabricante.

Figura 1 – Modelo monolítico

A utilização deste tipo de arquitetura, apesar de funcional, restringe o número de fornecedores, opções de soluções, limita a inovação e a interoperabilidade dentro do domínio da RAN.

Visando endereçar estas limitações do modelo “tradicional”, o movimento ou o conceito de Open RAN floresceu, sendo que suas origens remontam a duas inciativas: a C-RAN aliance liderada por empresas chinesas e o xRAN Forum, liderado por empresas americanas e japonesas. Estas duas iniciativas se fundiram em 2018 no que conhecemos hoje como O-RAN Alliance e tratam dos desafios de estruturar uma arquitetura flexível de rede de acesso móvel (RAN) baseada na desagregação dos elementos e utilização de interfaces abertas e interoperáveis.

Figura 2 – Open RAN

A adoção da arquitetura Open RAN propicia às operadoras um ambiente inovador e dinâmico, baseado em um ecossistema de fornecedores, no qual a desagregação (hardware e software, banda base e unidades de rádio, plano de controle e plano de dados) e a padronização das interfaces entre os elementos se faz possível devido à utilização da melhor solução tecno-econômica para cada caso de uso, bem como aproveitar todas as inovações trazidas pelo ecossistema.

*Por Leandro Galante, head de OpenRAN e 5G Lab da NEC no Brasil

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