Fust pode ser solução para ampliar cobertura móvel no campo, diz Vivo


O grande desafio das operadoras móveis é levar conectividade às gigantescas áreas de baixa densidade populacional do interior do território. Para sanar esse desafio, as teles estão trabalhando em modelos de negócio que atendam o pequeno produtor rural. Já há quem defenda a elaboração de projetos para o campo baseados em recursos do Fust e que independam, portanto, da viabilidade comercial.

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É o caso de Diego Aguiar, Diretor de Operações Telefónica Tech/Vivo Empresas, que participou do AGROtic 2022 nesta quarta-feira, 11.

“Talvez os recursos do Fust possam ser utilizados para levar conectividade a pequenos produtores no campo, a quem tem cultura de subsistência. Dessa forma ele pode ser efetivo, pois converte o recurso em conectividade para esses pequenos produtores, sem preocupação quanto ao modelo de negócio”, observou Aguiar.

Alexandre Dal Forno, Diretor de Desenvolvimento de Mercado IoT e 5G da Tim Brasil explicou que na TIM há estudos sobre diferentes modelos de negócios a fim de viabilizar a conectividade das pequenas e médias fazendas e da agricultura familiar. E que as operadoras planejem negócios com grupos de produtores para viabilizar a contratação pelos pequenos.

“Para chegar nos pequenos e médios agricultores, a solução é conversar com as cooperativas ou, de alguma forma, aglutinar esses produtores. É um desafio para nós, para todas as operadoras, quanto ao modelo de negócio”, resumiu.

Claro vai testar 5G em 700 MHz

Em busca de mais eficiência, a Claro quer saber se é possível usar a faixa de 700 MHz com a tecnologia 5G. A tecnologia, em teoria, entrega um pouco mais de capacidade e melhor latência que o 4G. Na frequência mais baixa poderia ter uma cobertura ampla e ser viável para conectar grandes áreas, observou Eduardo Polidoro, Diretor de IoT da Claro.

O teste será realizado ainda, no interior de São Paulo, em áreas produtoras de cana-de-açúcar, e dizer se vale ou não à pena antecipar a chegada da quinta geração ao campo.

“Em teoria, o 5G na pouca banda dos 700 MHz, que são 10 MHz de subida e 10 MHz de descida, é pouca coisa mais eficiente que o 4G. Mas queremos testar e ver quais os ganhos possíveis e a integração entre o campo e a usina”, falou.

Para ele, o 4G e o 3G ainda vão ser usados muitos anos no agro por conta da ampla cobertura que oferecem e do perfil dos dispositivos ativos nas fazendas, nem sempre de última geração, compatíveis com novas frequências ou mesmo com o Volte, tecnologia de voz do 4G utilizada quando não há sinal 3G por perto.

Dal Forno, da TIM, e Aguiar, da Vivo, concordam que o 4G ainda terá longa vida e atende os casos de uso das fazendas.

O executivo da TIM lembra que no campo a cobertura importa mais do que a capacidade em si da conexão, e que na agroindústria a capacidade pode ser compensada com instalação de redes privativas 5G focadas nas linhas de produção.

Já Aguiar ressaltou que haverá uma transição paulatina e natural do 4G para o 5G daqui a alguns anos, e por isso o agricultor não deve aguardar a quinta geração para começar a digitalização de seus processos.

Tiago Fontes, Diretor de Ecossistema e Marketing da Huawei Brasil, concorda com a percepção de Aguiar. Como fabricante de equipamentos, lembrou que a Huawei produz estações 4G de baixo consumo e compactas para uso especialmente no campo, e que estas já são preparadas para o 5G. “Quando for a hora de acrescentar o 5G, bastará adicionar uma antena, uma caixinha, e vai funcionar. Então, se o agricultor vai investir, acho que o investimento tem que ser em 4G pensando em produtos que permitam a migração no futuro”, defendeu.

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