Furukawa produz cabo GigaLan feito do álcool de cana e 100% reciclável


O Tele.Síntese está publicando semanalmente duas reportagens sobre as tendências e inovações em telecomunicações. O conteúdo completo está no Anuário Tele.Síntese de Inovação 2017, que além de apontar os rumos do setor, elegeu os serviços mais inovadores do último ano. Veja, abaixo, como a Furukawa criou um cabo feito a partir do etanol, o que a fez merecer o prêmio de fornecedora de produtos mais inovadora de 2017.

Dentro do prédio, um cabo ecológico

LeonelRodrigues_Furukawa

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Por Anamarcia Vainsencher

O desafio tecnológico que se colocava à Furukawa Electric LatAm S/A era produzir um cabo com diâmetro reduzido e fabricado à base de componentes inovadores e não prejudiciais ao meio ambiente, voltado para usuários empresariais de cabeamento estruturado, que consideram importante o quesito sustentabilidade. O resultado foi o GigaLan Max Green Categoria 6 LSZH (Low Smoke Zero Halogen), 100% reciclável, concebido e desenvolvido no país e produzido na unidade industrial de Curitiba (PR).

O novo produto Furukawa não tem similar no mercado internacional, ou seja, não tem concorrentes no segmento de cabos para transmissão de dados. De acordo com Leonel Rodrigues (foto), gerente de Produtos da fabricante, as novidades do cabo categoria 6 incluem a cobertura feita com polietileno à base de etanol (derivado da cana-de-açúcar); a não utilização do elemento central crossweb (separador tipo cruz), o que permite reduzir o seu diâmetro para até 5,6 mm (em relação aos tradicionais 6,1 a 6,2 mm), dependendo do duto onde será instalado; ocupar até 25% menos espaço nas calhas ou dutos; e proporcionar mais flexibilidade à instalação. A diminuição do diâmetro, por sua vez, implica necessidade menor de infraestrutura para colocação do cabo, e facilidade para o instalador que pode arrancar o crossfiller, em vez de cortá-lo.

Segundo a Furukawa, o Max Green é o único cabo para transmissão de dados no mundo que utiliza cobertura reciclável. A vantagem do composto à base do etanol consiste na utilização da cana-de açúcar como base do polietileno, que captura e fixa gás carbônico da atmosfera durante a sua produção, o que colabora para a redução da emissão dos gases causadores do efeito estufa. Rodrigues lembra que a tradicional cobertura de cabos é feita de PVC, derivado de petróleo à base de halogênio que, em caso de incêndio, contribui para a propagação do fogo e gera monóxido de carbono – gás tóxico e volátil que pode ocasionar queimaduras na pele e nas vias respiratórias. Já o Max Green, por sua composição, nem pega fogo, nem propaga chamas.

Lançado em dezembro de 2016, o Max Green Furukawa foi bem recebido pelo mercado: a fabricação de cabos LSZH cresceu quatro vezes, de 250 quilômetros mensais para mil. Um dos primeiros usuários do novo cabo foi o Hospital Oswaldo Cruz, na cidade de São Paulo, cuja reforma precisaria ser feita sem alteração na infraestrutura do prédio. De acordo com o fabricante, aos usuários finais, o Max Green proporciona aumento da capacidade de banda larga e preservação do investimento realizado pelos operadores do serviço móvel celular na implementação das redes 2G e 3G.

O novo cabo Furukawa, cujo preço é similar ao do cabo convencional com crossfiller, pode ser utilizado em vários padrões de redes locais, e abre novas oportunidades de mercado para a fabricante. “Estamos recebendo pedidos de informações do exterior”, informa o gerente. As solicitações vêm de países da América do Sul e da Europa. Nessa última, a aprovação pelas diretivas europeias RoHS (Restriction of Hazardous Substances) e a recente certificação CPR (Construction Products Regulation) são fatores fundamentais para a conquista de clientes. Reforçando a importância da sustentabilidade para a companhia, Leonel Rodrigues destaca o Programa Green IT Furukawa, destinado a racionalizar a utilização de recursos não renováveis com o tratamento de resíduos provenientes do descarte de produtos de cabeamento estruturado. A iniciativa envolve a permuta de sobras de cabos eletrônicos e de energia (independentemente do fabricante) por cabos novos Furukawa.

No programa, o descarte da sucata (cobre e plástico) do cliente é separado e destinado à reciclagem para a fabricação de outros produtos, e concede ao usuário de cabos da companhia crédito na aquisição de cabos de sua fabricação. O cliente avisa à fabricante, que se responsabiliza pelo transporte e frete. Entre seus benefícios estão a menor utilização de recursos não renováveis; economia de energia e recursos naturais; proteção do ambiente contra materiais nocivos à natureza e à saúde humana; e incentivos econômicos e comerciais aos seus integradores para fomentar o Green IT.

O que está em questão é o destino final do PVC contido nos cabos que pode tanto ser o lixo comum ou a queima. Nesta, o PVC libera danosas quantidades de cromo (Cr), cloro (Cl), ácido clorídrico (Hcl), chumbo (Pb), cádmio (Cd) e dióxidos. Do chumbo, 40% vão para a atmosfera, e 50% do cromo também. O restante é depositado no solo.

Tanto o chumbo como o cromo são elementos extremamente tóxicos e cancerígenos que podem causar deformações genéticas, alergias, problemas respiratórios, desmineralização dos ossos e irritações em olhos e mucosas.

Daí a importância de se tratar adequadamente os resíduos. Os processos da Furukawa são certificados pelos respectivos órgãos da área ambiental. E essa é a sua responsabilidade específica dentro das etapas do ciclo de vida do produto para garantir as melhores práticas para a sustentabilidade do planeta, lembra Rodrigues.

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