Fundo público para digitalizar retransmissoras


Tele.Síntese Análise 358 Um dos grandes problemas do processo de digitalização das emissoras de TV é chegar até as retransmissoras. São cerca de 11 mil, 6 mil das quais consideradas comerciais e outras 5 mil que pertencem a prefeituras e entidades locais, a maioria sem fins lucrativos. Se já é difícil para as emissoras fazer …

Tele.Síntese Análise 358

Um dos grandes problemas do processo de digitalização das emissoras de TV é chegar até as retransmissoras. São cerca de 11 mil, 6 mil das quais consideradas comerciais e outras 5 mil que pertencem a prefeituras e entidades locais, a maioria sem fins lucrativos. Se já é difícil para as emissoras fazer a migração de suas retransmissoras, para o segundo grupo essa é uma tarefa praticamente impossível. Não têm recursos técnicos ou financeiros.

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Por isso, na proposta apresentada pela Abert e pela Abra (que representam os radiodifusores) ao ministro Paulo Bernardo – com uma série de considerações sobre a migração da TV analógica para a TV digital e o eventual uso de parte da frequência de 700 MHz para as telecomunicações – defende-se a criação de um fundo público para financiar a digitalização das retransmissoras que pertencem a entes públicos.

De acordo com Luís Roberto Anbtonik, diretor geral da Abert, a ideia é que esse fundo seja constituído por uma parte dos recursos que serão arrecadados no leilão das frequências de 700 MHz destinadas ao serviço de banda larga. Pelas contas da Abert, serão necessários cerca de R$ 2,5 bilhões para digitalizar as retransmissoras que pertencem a entes públicos e retransmitem também a programação das TVs abertas.

Hoje, a digitalização está concentrada nas geradoras. Das 514 existentes, 300 são comerciais. Dessas, 200 já estão digitalizadas, segundo dados da Abert. A entidade aposta que até a Copa de 2014 todas estarão digitalizadas. O problema está mesmo nas retransmissoras. Como será inviável a digitalização de todas as retransmissoras até 2016, quando deveria ocorrer o apagão analógico, o governo já trabalha com a hipótese de espichar o prazo, no caso das cidades com menos de 50 mil habitantes, para 2020. Essa proposta, que tem como contrapartida a antecipação da migração nas grandes cidades, é até bem recebida pelos radiodifusores, dentro de alguns condicionantes.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, presidente da Rede Vanguarda e ex-homem forte da Globo, admite a antecipação, mas pede cautela: “Apagões experimentais, coisa que se ouve com frequência, não medem coisa alguma. Em qualquer caso, em qualquer teste, uma pesquisa prévia será indispensável para evitar desastres tecnológicos e políticos”, diz ele.

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