Faria volta a atacar o 5G DSS, apesar de ser padrão definido pela UIT


Tecnologia é padronizada em todo o mundo como parte do 5G desde o release 15, faz parte do release 16 e estará também no 5G versão 17. Ministro, porém, insiste que operadoras não podem chamar o 5G ativado em espectro compartilhado com o 4G de 5G.

O ministro das Comunicações Fabio Faria voltou a reclamar hoje, 15, nas redes sociais da implementação do 5G DSS por parte das operadoras. A seu ver, a tecnologia não deve ser propagandeada como 5G por utilizar núcleo de rede e espectro do 4G. Trata-se, afirma, de uma espécie de “4G Plus”.

Faria reforçou que já enviou um ofício às operadoras e à Anatel, no qual critica o uso da expressão 5G DSS pela empresas. Também atira contra a exibição do ícone 5G na tela dos celulares que se conectam a tais redes no país. Para ele, a exibição desse ícone no topo dos aparelhos habilitados para 5G confunde o consumidor, levando-o a acreditar que está conectado em uma rede 5G capaz de entregar a máxima capacidade da tecnologia.

“E eu mandei uma carta para a Anatel e para as empresas de telecomunicações para que não coloquem o 5G nos telefones celulares. As pessoas estão me perguntando, e este 5G que temos nos celulares não é o 5G, nós não temos ainda o 5G. É apenas um 4G Plus. Isso está confundindo a cabeça das pessoas”, afirmou.

Em seguida, afirma que as redes 5G DSS são testes, e não iniciativas comerciais colocadas em prática pelas operadoras. “Isso é um teste, que sempre que mudam do 3G para o 4G, do 4G para o 5G, elas fazem esse tipo de teste, mas não é o 5G que teremos no Brasil. Isso é apenas uma modificação, um 4G amplificado, que estão colocando o nome 5G. Mas queria deixar claro e pedir para as teles que não coloquem isso para não confundir a expectativa dos brasileiros pelo 5G Standalone, o 5G que vai mudar a vida do nosso país”.

Motivos?

Não custa lembrar que Claro, Vivo e TIM fizeram investimentos para levar 5G DSS a diversas cidades do país, ainda que em bairros específicos das capitais. Também vale frisar que a GSMA, entidade que reúne operadoras e indústria móvel defende que o 5G DSS é sim 5G, embora seja a primeira etapa do desenvolvimento de tais redes. E que mesmo nas versões mais avançadas do 5G Standalone release 16 é possível recorrer à tecnologia DSS.

A UIT aprovou a padronização do 5G proposta pelo 3GPP como sendo o modelo global. Na padronização do 3GPP, organismo técnico internacional que vem trabalhando das definições do técnicas do 5G, o DSS é sim 5G. Diz a entidade: “o compartilhamento dinâmico de espetro [DSS na sigla em inglês] cria um caminho para a migração do LTE [4G] para o NR [5G] ao permitir que o LTE e o NR compartilhem a mesma portadora [frequência]. DSS foi incluído no Rel-15 e melhorado no Rel-16”.

A versão 17 do 5G mantém o DSS por padrão, trazendo mais aprimoramentos. Por fim, a Anatel liberou as operadoras a reutilizarem espectro do 4G para a entrega do 5G ainda no ano passado. Do lado da infraestrutura de rede, é preciso desligar o 5G DSS para desabilitar o ícone, como pede Faria. Uma solução neste sentido, portanto, dependeria dos fabricantes dos terminais, que teriam de fazer alterações estéticas no software de seus aparelhos.

Os motivos da cruzada de Faria contra o 5G ainda não estão claros. Entre os seguidores nas redes sociais e apoiadores de Jair Bolsonaro, há críticas quanto à presença da fabricante de origem chinesa Huawei nas redes brasileiras. A fabricante, no entanto, não é a única a produzir equipamentos DSS, tecnologia também revendida por Ericsson, uma das principais contribuintes para essa especificação, e Nokia.

Na hipótese de que a questão seja política, de olho no cenário eleitoral de 2022, os benefícios da 5G pura serão conhecidos por uma parcela pequena da população até lá. Como o próprio ministro afirma no vídeo de hoje, o maior impacto estimado por especialistas será sobre o setor produtivo. A maioria das pessoas poderia, no entanto, ser beneficiada pelo ganho de velocidade oferecido pela 5G DSS em relação ao 4G e à velocidade de sua implementação.

Números ao léu

Faria voltou a inflar as expectativas dos seguidores com o próximo leilão de espectro da Anatel e com a 5G. Segundo ele, o leilão permitirá ao Brasil conectar todos os 40 milhões de brasileiros que ainda não acessam a internet. “Vamos reduzir o deserto digital, 40 milhões de brasileiros que não têm internet, terão após o leilão do 5G. E em todas as capitais teremos o 5G funcionando no ano que vem”, disse.

Vale lembrar que o edital, até o momento, determina que as operadoras atendam compromissos de cobertura com a 5G pura, estabelecendo um número determinado de estações radiobase por quantidade populacional. Não determina que as empresas deverão cobrir toda uma cidade com o 5G puro de uma só vez. Na verdade, a proporção de antenas 5G Standalone e população vai crescer paulatinamente, e os compromissos de quem comprar espectro no certame deverão ser completados apenas ao final da década.

“O 5G é muito diferente do 4G, com velocidade quase 100 vezes maior, e uma latência muito baixa, que vai trazer a internet das coisas. Como o 4G conectou as pessoas através do Whatsapp, Facetime, Uber, tudo funcionou por causa do 4G. O 5G vai conectar toda a cadeia produtiva, toda a indústria, o agronegócio, a educação, o setor de telemedicina. Então teremos um ganho de produtividade, o Brasil vai crescer muito por causa disso”, afirmou o ministro.

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