Expansão de M2M deve ampliar receita das teles e espaço para novos players


O mercado brasileiro de M2M deve sair de um patamar de 7,95 milhões de conexões, em julho, para 35 milhões de conexões, no intervalo de cinco anos, conforme projeção da Analysys Mason. Caso se concretize um cenário favorável, as operadoras podem avançar muito em receita nesse segmento nos próximos anos, mas, para isso, precisam ir além da gerência das conectividades e entrar na aplicação e entrega de valor para o usuário final. Do contrário, novos entrantes podem ficar com essa receita nascente.

O mercado de POS, hoje responsável por cerca de 55% das conexões, deve passar por uma desaceleração, na avaliação de Ramzi Abdine, diretor para a América Latina de M2M da empresa especializada em segurança e aplicações de SIM Card, Gemalto. “A velocidade de expansão está diminuindo. Estamos chegando ao ponto de saturação, quando haverá reposição da base instalada, o que equivale à troca de um milhão de POS por ano”.

Por outro lado, começa a crescer certo otimis-mo no mercado quanto à expansão do número de veículos rastreados. A resolução do Denatran é de que a partir de janeiro de 2015 todos os veículos sairão de fábrica com módulos para rastreamento embarcados. Depois de diversos adiamentos da medida, há certa desconfiança sobre a nova data estabelecida em junho passado, mas o avanço na implantação do sistema pelo órgão de trânsito deu confiança ao mercado. “A plataforma já foi testada em laboratório e na rua. O sentimento é positivo e as montadoras já estão se mexen- do”, declarou Abdine. Existem 60 milhões de veículos no Brasil, com uma média de renovação da frota de cerca de 6 milhões de veículos por ano. Trata-se de uma explosão de 2,2 milhões de veículos rastreados para um potencial de 8,2 milhões de unidades no primeiro ano.

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Ainda, em fevereiro de 2015 passa a vigorar a resolução da Aneel de que todas as concessionárias devem oferecer aos clientes a opção de instalação de medidores inteligen- tes. É esse cenário que deve significar um crescimento mé- dio composto das conexões M2M no Brasil de 32% ao ano, entre 2012 e 2018, bem acima da projeção para a América Latina, de 25%, de acordo com a Analysys Mason. Tal expansão deve mover as teles em direção ao universo de aplicações. A Telefónica já tem sua plataforma de M2M na nuvem. A Oi prepara a sua versão, prometida para este ano. A Claro anunciou parceria com a Jasper Wireless, que detém uma plataforma de conexão máquina a máquina na nuvem.

O anúncio de parcerias entre as teles e empresas especialistas, no modelo de partilha de receita, em softwares para determinadas verticais de negócio, deve ficar cada vez mais frequente no próximo período. A Vivo, por exemplo, mantém um piloto de rastreamento de veículos no Sul do país em parceria com a Sascar. “Podemos agregar valor para além da conectividade, agregando além do gerenciamento da conexão a plataforma de serviço”, afirma Mauro Fukuda, diretor de tecnologia da Oi.

A questão para o mercado é: quando as operadoras que atuam no país colocarão as definições de parcerias, modelo de negócio e precificação como prioridades para acompanhar o desenvolvimento do setor, antes ou depois da explosão das conexões. “Na minha avaliação, a prioridade das operadoras é o desenvolvimento do mercado de dados para o consumidor final”, afirma o consultor da Analysys Mason, Nuno Afonso.

Entrantes
As boas perspectivas de crescimento para o mercado brasileiro de M2M podem atrair novas empresas, que vêm olhando para as opções de entrar no mercado brasileiro sem ter de construir redes, e companhias que podem ameaçar o avanço em receita das teles. “A parceria da Vodafone com a Datora é uma indicação do potencial de desenvolvimento do serviço”, avalia Afonso.

Pesa contra a exploração do mercado por entrantes no país a dificuldade de se obter a autorização para se tornar um operadora móvel virtual (MVNO). Atualmente, além de Datora, apenas a PortoSeguro Conecta, a Sisteer e a Tesa Telecom têm a autorização da Anatel. Dessas, apenas a Datora e a PortoSeguro têm conexões ativadas (65 mil e 14,25 mil, respectivamente), até hoje.

Mas, como o mercado engatinha, o terreno é fértil para quem se preparar. A Claro é líder de mercado, mas a Telefónica cresce rapidamente. De janeiro a agosto deste ano, as conexões máquina a máquina da espanhola passaram de 1,3 milhão para 2 milhões de acessos. Pode fazer diferença a experiência que a Telefónica deve adquirir ao vencer projetos de grande magnitude na área, que começam a aparecer na Europa. A operadora vai instalar 40 milhões de medido- res inteligentes em um total de 20 milhões de residências no Reino Unido, um contrato de 1,78 bilhão de euros.

Regulamentação
Para destravar o potencial de conexões máquina a máquina, o mercado precisa de uma regulamentação especial para esses acessos, uma vez que com Arpu baixo, não suportariam a carga tributária atualmente aplicada às conexões utilizadas diretamente por humanos. Fontes do Ministério das Comunicações (Minicom), porém, acreditam na desoneração de até 66% da taxa de contribuição para o Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) seja aprovada até o final deste ano ou, no máximo, até início do ano que vem. 

 

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