EUA querem espectro entre 7 GHz e 15 GHz para o 6G


Presidente da agência de telecomunicações dos EUA, Jéssica Rosenworcel, defendeu no MWC 22 que o espectro entre 7 GHz e 15 GHz vá para o 6G, e que os trabalhos de harmonização comecem logo. No Brasil, faixa será destino dos canais de TVRO, utilizada por radioamadores, aviões e navios.

Jessica Rosenworcel, presidente da FCC, dos EUA

A presidente da Federal Communications Commission, Jessica Rosenworcel, subiu ao palco do MWC 22 nesta terça-feira, 1º, para, principalmente, defender as posições dos EUA quanto ao uso do espectro, em especial, a identificação da faixa de frequência entre 7 GHz e 15 GHz para o futuro padrão 6G.

Segundo ela, as propostas de padronização do 6G têm focado muito no uso de ondas em altíssimas frequências, em bandas de “centenas de gigahertz, ou mesmo de na casa dos terahertz”. Essas propostas, no entanto, ignoram a necessidade de cobertura ampla da tecnologia móvel.

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“Não é cedo para harmonizar o uso dessas faixas no mundo para garantir que o 6G chegue a todos, em todos os lugares”, afirmou Rosenworcel. A previsão de acadêmicos é que o 6G esteja padronizado até o fim de 2027 e seja lançado comercialmente em 2030.

Ela não especificou quanto dessa faixa quer ver no 6G. Recomendou que os estudos comecem. Mas como muito já é utilizado com outros serviços, inclusive licenciados, não é difícil prever que os leilões de frequências para a sexta geração exigirão reordenamento de espectro, se a proposta for adiante.

Ano que vem acontecer a WRC-23, congresso onde representantes de diversos países discutem o uso de frequências e buscam harmonizar tal uso. Mas não há na agenda discussão sobre harmonização de frequências entre 7 GHz e 15 GHz para o 6G.

No mundo, há três zonas com uso harmonizado de radiofrequências, e o Brasil integra a zona da qual os EUA fazem parte. Significa que, se a proposta dos EUA for aceita e prever destinar todo espectro entre 7 GHz e 15 GHz, haverá reflexo até mesmo sobre a política pública definida no recente leilão 5G, organizado em novembro passado pela Anatel.

Isso porque a ampla faixa mencionada por ela integra também a chamada banda KU. A banda Ku é utilizada por serviços de TV paga para entrega de TV via satélite. Será também usada por emissoras brasileiras de TV aberta transmitida por satélite (TVRO), que terão os canais migrados da banda C para a banda Ku em razão da chegada do uso do 5G na faixa de 3,5 GHz.

A faixa entre 7 GHz e 15 GHz hospeda ainda, no Brasil, radioamador, links fixo móveis, radiocomunicação aeronáutica, radiocomunicação marítima e radiodifusão. O mais provável, no entanto, que as negociações comecem e que apenas uma parte do espectro na faixa proposta seja de fato destinado ao 6G. Outros serviços devem ser candidatos com maior potencial de serem deslocados, uma vez que o padrão Ku é utilizado em todo o mundo e tem ampla adesão.

Ao mesmo tempo, nos EUA, a operadora Dish, que controla a satelital Echostar, quer implantar o 5G na faixa de 12 GHz, fazendo desta uma potencial banda para redestinação aos olhos dos norte-americanos desde já.

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