Estudantes criam Raks, para irrigar lavouras sem perda de água


Vinicius (sentado), Fabiane e Guilherme: cálculo da umidade do solo para controlar irrigação

Sustentabilidade, economia de recursos naturais e prevenção de crises hídricas. Esses são os propósitos da Raks, tecnologia desenvolvida por quatro estudantes e um  professor de ensino médio técnico em eletrônica de Nova Hamburgo (RS) e impulsionada pela Campus Mobile, parceria entre o Instituto NET Claro Embratel e a Universidade de São Paulo. É voltada para a otimização e a automatização do processo de irrigação agrícola. A proposta, reconhecida no mundo acadêmico e até no exterior, saiu do papel e aos produtores agrícolas a reduzir o desperdício de água.

A ideia surgiu a partir de uma visão crítica acerca da crise de abastecimento que atingiu o Brasil, há cinco anos, conforme explicou Fabiane Kuhn. Em 2014, ela utilizou a ideia, juntamente com Guilherme Ramos, como Trabalho de Conclusão do Curso Técnico em Eletrônica da Fundação Liberato. “Pensamos na questão da crise, nos reservatórios operando em volume morto, em São Paulo, nas pessoas sem água para beber e fomos pesquisar para onde essa água estava indo”, refletiu. Os estudantes descobriram que 70% da água, no Brasil, é destinada à agricultura. E desse percentual, 50% é desperdiçado pela estrita falta de tecnologia no campo. Por causa disso, eles se dedicaram à criação de mecanismo automatizado para o controle do uso de água no cultivo das plantações.

Configuração por umidade

PUBLICIDADE

O grande diferencial  criado na startup foi o desenvolvimento de sensores para indicar o momento certo para acionar a irrigação nas lavouras. Todas as informações dos sensores são transmitidas para uma central que armazena os dados em nuvem e os repassa para o aplicativo e o site em forma de gráficos e tabelas. Assim, os agricultores podem monitorar a irrigação de qualquer lugar do mundo. Fabiane explica que os sensores utilizam a tecnologia conhecida como TDR, que é a reflectometria no domínio do tempo. Consiste na emissão de um impulso em duas hastes paralelas e na medição do tempo que leva para esse impulso ir e voltar.

“Nós sabíamos que era necessário calcular a umidade do solo para controlar a irrigação, mas a gente viu que os sensores comerciais eram pouco precisos, ou muito caros. Então, desenvolvemos o nosso próprio sensor de umidade do solo, que é o maior diferencial dentro da nossa startup”, comentou Fabiane, saudando a descoberta. “É super preciso, então conseguimos ver pequenas variações de umidade. E o sensor fica fixo em campo, utilizando energia solar para mantê-lo, sem a necessidade de deslocamento do agricultor”, acrescentou a idealizadora da Raks.

Prêmio internacional

Fabiane, sócia da startup participou do GSEA, maior prêmio mundial de empreendedorismo

Graças ao sistema e à criação da Raks, Fabiane participou, no ano passado, em Toronto, Canadá, do Global Student Entrepreneur Award (GSEA), considerado o principal programa de empreendedorismo universitário do mundo. Chegou lá após ser escolhida como a melhor jovem empreendedora universitária do País. Ela é a primeira mulher a representar o Brasil na competição internacional. Além de Fabiane, que atualmente cursa Ciência da Computação, e Guilherme, estudante de Engenharia Eletrônica, fazem parte da empresa o professor  Marcos César Sauer, que orientou o TCC; e Vinícius Silveira, estudante de Engenharia da Computação.

Anterior Em maio, entram em vigor os novos preços de frequências definidos pela Anatel
Próximos Senacon multa SBT em R$ 3,5 milhões após constatar abuso