A estreita e lenta banda larga brasileira


Acabaram de ser fechados os números do mercado brasileiro de banda larga do primeiro semestre de 2014. A Anatel e SindiTelebrasil divulgaram crescimentos importantes no acesso à internet brasileira. A banda larga fixa teve crescimento de 9,3% em um ano, somando 23,3 milhões de acessos no período.  A campeã, a banda larga móvel, somou nada menos do que 137,7 milhões de conexões, crescimento de mais de 60% frente a 2013.

O problema, contudo, é a qualidade desta banda, quando olhamos as velocidades que estão em poder do consumidor.  Esses números não estão no “release” da Anatel, mas podem ser encontrados em seus sistemas. Aí, a situação é muito crítica.

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Conforme a agência, dessas mais de 23 milhões de conexões fixas que existem hoje, quase a metade sequer atinge 2 Mbps de velocidade, aquela  definida pela União Internacional de Telecomunicações (UIT)  como o piso mínimo de velocidade de transmissão na rede fixa para ser considerada uma broadband. Nada menos do que 10,327 milhões de acessos fixos no Brasil  sequer alcançam  2 Mbps de velocidade.

A nossa “banda larga” ainda é muito estreita e lenta. Conforme os números de junho de 2014,  existem no país 1,506 milhão  de conexões com velocidades até 512 Kbps. É quase a linha discada, dos antigos tempos. Ao invés de sumir por obsolescência,  este lento acesso tem crescido no país. No mês de junho havia 1,505 milhão de conexões com esta velocidade, contra  1,473 milhão de maio. Estas linhas representam 6,5% do total da base brasileira.Os acessos que ultrapassam os 512 Kbps e vão a quase 2 Mbps somam 8,823 milhões, 39% da base.

A faixa de velocidade que congrega hoje a maior quantidade de conexões vai de 2Mbps a 12 Mbps, que soma 9,7 milhões de acessos, representando 43% do total. O problema com esta informação, é que esta faixa estabelecida pela Anatel é muito ampla, o que impede de se saber se a maioria das conexões está no início ou no topo mais alto dela.

A sensação é de que a maioria dos acessos está mais para os 2 Mbps do que para os 12 Mbps. Isto porque, na faixa de velocidade de 12 Mbps a 34 Mbps ficam apenas 11% dos usuários brasileiros de banda larga, com 2,646  milhões de acessos. E os com mais de 34 Mbps não chegam a um milhão:  somam apenas 548 mil assinantes.

Para reverter este quadro, não adianta apenas contar com os leilões de venda de frequência, quando a Anatel pode estabelecer metas de cobertura ou de qualidade (o que por sinal não vai acontecer no próximo leilão de 700 MHz, que tem o papel de apenas arrecadar para o governo alguns bilhões). É preciso definir nova política pública onde a banda larga, o acesso à internet e construção da sociedade do conhecimento sejam prioridades do governo central. Uma boa agenda para os presidenciáveis.

 

 

 

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