Especialista defende obrigação de interoperabilidade entre redes sociais


Deve haver regulação para aumentar a interoperabilidade entre plataformas digitais, defendeu a pesquisadora de mídias digitais Annabelle Gawer da Universidade de Surrey da Inglaterra, em evento do CGI.br hoje, 27. De acordo com ela, a abertura da interface dos big players acarretaria na padronização entre as diferentes plataformas. Assim, aumentaria a competição e a quebra dos grande monopólios.

Ainda assim, Gawer diz que “interoperabilidade no contexto de plataformas não é tão simples quanto parece”, devido aos bancos de dados nos diferentes formatos.

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A pesquisadora comentou ainda que uma nova regulação deverá considerar os novos setores que surgiram das plataformas, a fim de definir as reponsabilidades. As novas configurações deixaram as relações de serviço e trabalho “vagas”. “Não devemos aplicar leis dogmáticas de ontem nos atores de hoje”, comentou a pesquisadora de Surrey.

As plataformas de serviço, por exemplo, como o Uber, trouxeram novas questões para o mundo trabalhista. Além da disputa em torno da classificação se os motoristas e entregadores de aplicativos são colaboradores ou funcionários, eles  passaram a ser mais vigiados.  Estão enviando o tempo todo dados como sua localização e velocidade.

Em relação, a plataformas como Facebook, cujo lucro se baseia em anúncios de terceiros, Gawer explica que os usuários agregam valor a plataforma. Dessa forma, eles pagam pelos serviços com sua atenção e fornecimento de dados, o que irá atrair mais anunciantes.

O aumento da necessidade dessas redes, juntamente com o crescimento de seu porte financeiro, colocam as plataformas em uma situação de governantes de seu próprio ecossistema, decidindo que posts irão bloquear e quem não poderá utilizar suas ferramentas. Diferentemente dos países, as mídias digitais detém um poder social que vai para além das fronteiras. Para Annabelle Gawer, isso amplia a questão de “quem irá governar os governantes”.

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