Erundina quer projeto popular para revisar marco da mídia eletrônica


A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) vê na apresentação de um projeto de iniciativa popular como saída para promover a modernização do marco legal das mídias eletrônicas, tal qual ocorreu com a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10). A declaração da parlamentar foi feita após o secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, dizer publicamente que não há previsão de a proposta produzida pelo executivo ser entregue ainda neste governo, ao contrário do que vinha sendo anunciado pela pasta desde o início do mandato de Dilma Rousseff. Segundo Alvarez, o calendário político, com ano pré-eleitoral, torna esse debate impossível no Legislativo.

A deputada ressaltou que entidades sociais ligadas à defesa da democratização das comunicações já lançaram a ideia e elaboraram anteprojeto, e as assinaturas necessárias para a apresentação da proposta deverão começar a ser recolhidas em breve. De acordo com ela, o apoio a essa medida será discutido na próxima reunião da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão, prevista para semana que vem.

“Os governos Lula e Dilma pouco avançaram na democratização das comunicações no Brasil”, enfatizou Erundina. “A legislação precisa ser atualizada para garantir a democratização dos meios, assegurar a liberdade de expressão – o que é diferente da liberdade de empresa – e a eliminação de monopólios e oligopólios”, completou. A parlamentar ressaltou ainda que diversos artigos do capítulo da Constituição relativo às comunicações ainda não foram regulamentados, como o que proíbe que detentores de cargos públicos e de mandatos populares tenham concessões de rádio e TV.

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Por sua vez, o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) afirmou que a atualização da lei é necessária principalmente para rever as regras para as concessões de radiodifusão, sobretudo diante da chegada da TV digital e da convergência de mídias. Ele destacou que o marco legal de TV paga foi atualizado recentemente, mas que não há avanços na legislação de rádio e TV aberta, que são serviços públicos. Bittar foi relator na Câmara da nova lei de TV por assinatura (12.485/11).

Segundo o deputado, muitos empresários do setor classificam a tentativa de novo marco regulatório de censura, o que não teria sentido. “É preciso colocar de lado a ideia de que qualquer mudança na legislação de rádio e TV significa censura ou interferência em conteúdos”, destacou.

Preocupação
O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), também manifestou preocupação com a declaração do secretário-executivo do ministério. Na visão dele, o governo deve enviar logo a proposta, que já está sendo discutida há muitos anos no Executivo, para que o Congresso possa ingressar no debate.

“O governo gasta um tempo enorme e depois quer que o Congresso seja rápido, quando o inverso deveria acontecer”, opinou Azeredo. Segundo ele, os integrantes da comissão até poderiam apresentar projeto próprio sobre o assunto, porém a iniciativa não prosperaria. “O governo, que tem maioria, não vai permitir que um projeto independente nessa área caminhe”, disse.

A legislação do setor de rádio e TV é de 1962 (Código Brasileiro de Telecomunicações – Lei 4.117/62). No início do mandato de Dilma, a atualização da norma era anunciada como prioridade pelo MiniCom. No ano passado, a pasta anunciou a realização de consulta pública sobre o anteprojeto de lei, antes do envio para o Congresso – o que nunca ocorreu. O anteprojeto foi elaborado por um grupo de trabalho interministerial ainda durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e revisado pelo Ministério das Comunicações no início do Governo Dilma.

 

Nota

 

A declaração do secretário-executivo do Ministério das Comunicações,  de que este governo não vai tratar da reforma do marco regulatório das comunicações, também foi repudiada por entidades. Segundo nota divulgada nesta sexta-feira (22), afirmam que a manifestação de Alvarez “explicita de forma definitiva uma posição que já vinha sendo expressa pelo governo federal, seja nas entrelinhas, seja pelo silêncio diante do tema”. Para essas organizações, A opção do governo significa, na prática, o alinhamento aos setores mais conservadores e o apoio à manutenção do status quo da comunicação, nada plural, nada diverso e nada democrático.(Da redação, com Agência Câmara)

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