Ericsson investiga corrupção de funcionários no Iraque


Crédito: divulgação
Crédito: divulgação

A Ericsson revelou que uma investigação interna encontrou graves violações de suas regras de compliance no Iraque, incluindo evidências de má conduta relacionada à corrupção e uso indevido de agentes de vendas e consultores.

A gigante sueca de telecomunicações suspeita que alguns de seus funcionários no Iraque possam ter subornado membros do grupo armado ISIS para obter acesso a certas estradas no país, disse o presidente-executivo da empresa, Börje Ekholm, à imprensa estrangeira.

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O preço das ações da Ericsson caiu mais de 7 por cento na abertura do pregão da bolsa de valores de Estocolmo, nesta quarta, 16, após a notícia.

Demissões  e fim de parcerias

A investigação resultou na saída de vários funcionários da empresa, e a Ericsson também revelou que outras ações corretivas foram tomadas, além do término de vários relacionamentos com terceiros.

Segundo a empresa, a equipe interna de investigação identificou pagamentos a intermediários e o uso de rotas alternativas de transporte em conexão com a evasão da alfândega iraquiana, em um momento em que organizações militantes, incluindo o Estado Islâmico, controlavam algumas rotas de transporte.

Mais medidas

A empresa sueca disse que trabalha agora com advogados externos para revisar as descobertas resultantes da investigação para identificar quaisquer medidas adicionais devem ser tomadas.

A investigação terminou em 2019, mas a Ericsson optou por não divulgá-la naquele momento. Foi desencadeada por reivindicações de despesas incomuns no Iraque, em 2018.

“A materialidade de nossas descobertas não ultrapassou nosso limite para fazer uma divulgação”, disse o presidente-executivo da Ericsson, Börje Ekholm à Reuters. “Esse foi o nosso julgamento quando concluímos a investigação há dois anos.”

A Ericsson, que também em 2019 foi motivo de investigação de autoridades por conta de ações de seus funcionários, comunicou também que vai revisar sua investigação e comparar com informações apresentadas pela mídia.

“O que vemos é que as pessoas pagaram pelo transporte rodoviário através de áreas controladas por organizações terroristas, incluindo o ISIS”, falou Ekholm ao diário financeiro sueco Dagens Industri.

“Com os meios que temos, não conseguimos determinar os destinatários finais desses pagamentos”, acrescentou.

Denúncia

Com a revelação, a Ericsson acaba se antecipando – e até preparando o terreno – para denúncia que sairá em breve do ICIJ – sigla para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, segundo a entidade informou na terça, 15.

“A declaração da empresa sueca abordou irregularidades descobertas pelo ICIJ e seus parceiros como parte de uma investigação global”, diz o comunicado do consórcio de jornalistas.

O ICIJ disse que a Ericsson comunicou que estava trabalhando com funcionários internos e advogados externos para revisar a má conduta levantada pelo consórcio, mas ressalta que a empresa sueca deixou ainda questionamentos sem resposta.

“Apesar da declaração da Ericsson, a empresa não abordou questões específicas colocadas a ela por nossos jornalistas em relação a uma ampla gama de comportamentos corruptos em conexão com seus negócios no Iraque e em outros lugares”, diz o ICIJ, no comunicado.

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